Rolando Christian Coelho
25/10/2017 12h00

Amin bem, e Merísio mal, complicará 2018

Rolando Christian Coelho - Coluna 25/10/2017

“O Brasil é um país que dificilmente dará certo algum dia. Por aqui, traficante usa droga, prostituta se apaixona e pobre vota na direita”.

Chico Anysio (1931/2012) – Humorista e roteirista brasileiro

Amin bem, e Merísio mal, complicará 2018

Divulgação dos números do levantamento feito pelo Instituto Paraná Pesquisas, dando conta de que o deputado federal Esperidião Amin (PP) lidera a corrida sucessória estadual em Santa Catarina, causou apreensão entre vários líderes do PP, PSD e do PSB, e relativo alívio junto a líderes do PMDB.

Desde o final de semana os simpatizantes de Amin, dentro da cúpula progressista, parecem ter ressurgido das cinzas. Isto porque, depois da convenção estadual do partido, em agosto passado, a ala do PP ligada diretamente ao PSD de Raimundo Colombo praticamente colocou Amin no banco de reservas da sigla. Ao tentar vislumbrar uma possível candidatura do PP ao governo, Amin foi sufocado. O deputado, que já governou Santa Catarina em duas ocasiões, praticamente foi obrigado a dizer que apoiará Gelson Merísio (PSD) como candidato ao governo.

O problema para os progressistas defensores de uma dobradinha entre PSD e PP, é que os números não são favoráveis a esta tendência. Na pesquisa, Amin aparece com 30% das intenções de voto, contra 4,5% de Merísio. Por conta disto, de forma natural, a tropa de choque de Esperidião Amin já começou a dar suas alfinetadas.

Se por um lado a divulgação da liderança de Amin foi péssimo para o PSD, que quer trazer o PP a reboque, por outro lado é excelente para o PMDB, ainda que Mauro Mariani, pré-candidato do partido ao governo, tenha aparecido com apenas 9,9% das intenções de voto. É que tudo o que o PMDB mais deseja é o rompimento do compromisso de coligação previamente alinhavado entre PSD e PP. Se o PP impuser um candidato à cabeça de chapa, oferecendo a vaga de vice ao PSD, é muito provável que os pessedistas abandonem os progressistas, mantendo a aliança com o PMDB. Aliança que muito provavelmente teria o apoio do PSDB, em troca do trabalho de todos pela candidatura a presidente de Geraldo Alckmin.

É a possibilidade deste desdobramento, diga-se de passagem, o que levou a maioria do PP a se entregar, mesmo antes da batalha, ao PSD. Todos têm consciência de que Amin é um forte candidato, mas também sabem que ele só vai até certo ponto. O jogo político de 2018, no entanto, terá muitas novidades. A principal delas é a maior independência dos eleitores em relação aos partidos. O tal do ‘voto na pessoal’ estará em alta, justamente por conta da desilusão com nosso sistema político. Prova é que pessoas com Jair Bolsonaro (PSC/RJ) e João Dória Júnior (PSDB/SP), que não possuem bases eleitorais fortes, tem se destacado nas pesquisas presidenciais. É nesta realidade que Amin se ressalta, e não erra ao tentar se impor com vistas à 2018.

Vale lembrar que o levantamento do Instituto de Pesquisas Paraná foi realizado entre 12 e 16 de outubro, com amostra de 1.554 entrevistados, em 64 municípios. A margem de erro é de 2,5% e o grau de confiança de 95%. Na mesma pesquisa, Paulo Bauer (PSDB) aparece com 20,3%, Décio Lima (PT) com 8,5%, Jorginho Mello (PR) com 5,1% e Gelson Merísio (PSD) com 4,5% . Conforme o levantamento, 21,7% não sabem em quem votar, ou não votarão em ninguém para o governo.

Fenômeno

Deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ) de fato é um fenômeno. Durante o mês de outubro escrevi quatro artigos cujo tema principal era focado nele. Através do portal do Grupo Correio do Sul na internet é possível acompanhar a audiência de todos os artigos que escrevo, sabendo, através deste, qual teve mais e qual teve menos “Ibope”. Os artigos relativos a Bolsonaro tiveram em média cinco vezes mais audiência do que aqueles que não falavam dele. Não à toa o parlamentar tem sido convidado para dar entrevista em tudo quanto é rádio e televisão do país. É que é só começar a falar dele que o povão fica ligado. Não será de se adimirar se Bolsonaro entrar 2018 empatado tecnicamente com Lula da Silva (PT) nas pesquisas. Os acontecimentos de Brasília têm colaborado cada vez mais para que isto aconteça.

Mais enrolação

Prefeitos de nossa região têm agendada audiência com o Secretário de Estado da Infraestrutura, Luiz Fernando Vampiro, no próximo dia 8 de novembro, às 14, em Florianópolis. O objetivo é saber a quantas andam as tratativas referentes a pavimentação da Serra do Faxinal. Das duas uma: ou serão enrolados, ou saberão, definitivamente, que os recursos para a pavimentação do Faxinal não constam mais do programa de financiamento do BID que vinha bancando a obra. Saberão também que tais recursos foram alocados para uma outra obra do governo na região serrana. Saberão ainda, oficialmente, que nem mesmo a licença ambiental, junto ao Ibama, para que a pavimentação da Serra do Faxinal fosse concluída, chegou a ser renovada. A grande dúvida é saber se a licença não foi renovada porque já se sabia que o dinheiro seria alocado para uma outra obra, ou se o dinheiro foi alocado para outra obra porque a licença ambiental não foi renovada. O mais provável, no entanto, é que os prefeitos continuem sendo enrolados, com o velho discurso dando conta de que o governo está analisando a situação, eticétera e tal.

Colombo aqui

Governador Raimundo Colombo (PSD) deverá vir a nossa região até o próximo dia 10 de novembro proferir uma palestra sobre o cenário econômico catarinense. Colombo tem percorrido Santa Catarina com esta retórica, que visa, por óbvio, aproximá-lo das bases da sociedade, por conta de sua possível candidatura ao Senado Federal ano que vem. Em 2006 já usou deste expediente enquanto pré-candidato a senador, repetindo a dose em 2010, quando concorreu a governador. Nesta ocasião teve suas andanças pelo Estado reforçadas pelo lançamento do livro: “Povo tem rosto, nome e endereço”. Só não repetiu a dose em 2014, quando disputou à reeleição governamental, por estar enfrentando à época um complicado problema de saúde, que o tirou até mesmo do corpo a corpo na campanha eleitoral daquele ano.

Usina de asfalto

Prefeito de Meleiro, Eder Matos (PSB), irá inaugurar na próxima sexta-feira, 27, às 17h e 30min, sua tão sonhada usina de asfalto. A usina foi um dos carros chefe da campanha eleitoral de Eder, que pretende asfaltar 50 quilômetros de estradas, ruas e avenidas até o final de seu mandato. De acordo com ele, estão sendo investidos R$ 1,5 milhão no projeto, valor que contempla tanto a usina, onde será fabricado o asfalto, como também todas as demais máquinas e equipamentos necessários para as operações. Num primeiro momento a usina produzirá matéria prima exclusivamente para Meleiro, mas a ideia é fazer com que outros municípios também sejam atendidos no sistema de permuta. “Queremos viabilizar a troca de materiais por asfalto. Uma outra prefeitura poderá trazer os materiais necessários para produzir o asfalto e nós o produziremos, ficando com parte dele pronto para utilizarmos em nosso município”, comenta o prefeito. Prefeituras de municípios como de Maracajá, Morro Grande, Timbé do Sul e Jacinto Machado já estão interessadas neste tipo de parceria. Prefeitos de fora de nossa região também têm entrado em contato para participar do projeto de permuta. 

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