Rolando Christian Coelho
24/10/2017 12h11

Bolsonaro e Amin na crista da onda

Rolando Christian Coelho - Coluna 24/10/2017

“Em política, nenhuma informação corre mais rápida do que aquela que se pede para guardar em segredo. Por conta disto, melhor não ter segredos, ou tê-los só para si, e mais ninguém”.

Charles de Gaulle (1890/1970) – Ex-presidente da França

Bolsonaro e Amin na crista da onda

Divulgação do levantamento do Instituto Paraná de Pesquisas, dando conta de que Jair Bolsonaro (PSC) e Esperidião Amin (PP) têm a preferência do eleitorado catarinense, no que diz respeito, respectivamente, à disputa pela Presidência da República, e pelo Governo do Estado, sacudiu o meio político estadual. De acordo com a pesquisa, Bolsonaro aparece com 24,7% das intenções de voto dos catarinenses, contra 18,3% de Lula da Silva (PT) e 10,8% de João Dória Júnior (PSDB). Os demais pré-candidatos têm menos de 10% das intenções.

No caso de Bolsonaro, o dilema fica por conta de seus futuros aliados em nível estadual. Por óbvio que estes não virão do PT e nem do PSDB, partidos que terão candidatos à Presidência. No entanto, no mais, todos os gatos são pardos. Há de ressaltar, no entanto, que o mais pardo de todos é o PP, que, em princípio, não tem compromisso com ninguém em nível nacional. É justamente ai que entra Esperidião Amin com seus 30% conferidos pela Paraná Pesquisas. Na pesquisa, Amin é seguido por Paulo Bauer (PSDB), com 20,3%, e por Mauro Mariani (PMDB), com 9,9%. Jorginho Mello tem 5,1% e Gelson Merísio (PSD) 4,5%.

Todo o meio político sabe que Mariani e Merísio devem subir, e que Paulo Bauer deve cair, caso não concorra com uma aliança forte. O problema para os demais é que Amin dificilmente perderá muito do que tem, já que ele possui um eleitorado cristalizado. É o mesmo caso de Lula, que apesar de todos os seus pesares, sempre aparece com 30% ou mais das intenções de votos no que diz respeito à disputa presidencial.

A grande problemática que envolve a candidatura de Amin ao governo é a sua projeção de crescimento. Considerado extremamente centralizador, ele tem muitas dificuldades em conseguir compor alianças robustas e confiáveis. Tal fama é tida como a principal responsável pelas derrotas ao Governo do Estado em 2002 e 2006, e também à Prefeitura de Florianópolis em 2008. A salvação de Amin, e também de Bolsonaro em nível estadual, pode ser justamente a formação de uma aliança entre ambos, de modo a manterem seus percentuais em alta, enquanto costuram alianças robustas, baseadas em suas famas. Um espécie de casamento providencial, que poderá ser benéfico especialmente para Amin.

A dobradinha não soa de todo estranho aos catarinenses, já que ambos são políticos simpatizantes de uma ideologia de centro-direita, o que não destoa em muito da média do eleitorado de nosso Estado. Firmada a parceria, Amin e Bolsonaro trariam à reboque uma dúzia de partidos pequenos, se tornando ainda mais atraentes para os maiores. É a chance que Amin tem de ressurgir das cinzas, e a que Bolsonaro vencer também em Santa Catarina.

Meio Rural

Seminário Estadual do Jovem Rural, que teve sua primeira versão realizada em Chapecó, na semana passada, teve o franco apoio do deputado estadual José Milton Scheffer (PP). O objetivo do evento é o de fomentar a permanência dos jovens no meio rural, já que nosso Estado tem ficado cada vez mais velho, quando o assunto é o homem e a mulher do campo. Nos últimos 50 anos, os moradores da zona rural de Santa Catarina caíram de 77% de nossa população para apenas 16%. Cerca de um milhão de catarinenses ainda vivem no meio rural, mas apenas 159 mil são jovens, entre 20 e 29 anos, faixa etária que constitui a principal mão de obra francamente ativa do campo. “Temos que tentar reverter esta realidade, pois grande parte da economia catarinense é ligada ao agronegócio. Sem o homem e a mulher do campo, nossa economia corre um sério risco”, ressalta o parlamentar. Ainda este ano, Zé Milton pretende realizar uma versão do Seminário em Araranguá, ou Criciúma.

Ciro no Sul

Pré-candidato à Presidência da República pelo PDT, ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, irá proferir palestra em Criciúma, na próxima sexta-feira, 27, onde falará sobre as alternativas para a crise brasileira. O evento acontece no auditório Ruy Hulse, na Unesc, a partir das 19h. Também na sexta, e no sábado, Ciro se encontra com líderes do PDT de todo o Sul do Estado. A vinda do presidenciável foi articulada pelo deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT). Ciro Gomes tem percorrido o país realizando palestras e participando de programas de rádio e televisão. No que diz respeito aos debates político partidários têm batido de frente com Jair Bolsonaro (PSC) e João Dória Júnior (PSDB), mas resguardado as imagens de Geraldo Alckmin (PSDB) e Lula da Silva (PT). No que diz respeito à administração e a economia do país, tem se manifestado favoravelmente ao nacionalismo, e, por consequência, contra as privatizações, lembrando em muito o ex-líder pedetista Leonel Brizola.

Convenções

Maioria absoluta das convenções do PMDB em nossa região, realizadas no sábado e no domingo, correram de forma consensual. Exceção se deu em Balneário Gaivota, com a o empresário João Carlos Porto e a ex-vereador Maria Leandro Nunes disputando o comando do partido. João venceu o embate e comandará o PMDB gaivotense pelos próximos dois anos. Nos demais municípios tudo se encaminhou a contento do que já vinha sendo articulado. Ressalta-se no contexto regional a posse do empresário César Cesa como novo presidente do PMDB de Araranguá. Com o ex-presidente Anísio Prêmoli deixando o caminho livre para César, e com o ex-presidente da Câmara Municipal, Rony da Silva, fora do partido, o caminho está livre para a construção de um projeto sólido com vistas à 2020. É preciso, agora, diálogo e sobriedade para a construção de uma aliança, que abarque gregos e troianos ao redor do PMDB araranguaense.

Outra versão

Assessoria do deputado federal Marcos Tebaldi (PSDB) entra em contato para passar sua versão dos fatos, no que diz respeito ao ranking divulgado pelo portal “politicos.org.br”, que se dedica a acompanhar o trabalho de deputados e senadores brasileiros. Ontem dei conta de que Tebaldi figura entre os parlamentares mais mal avaliados do país, segundo o aludido portal. De acordo com a assessoria do deputado, a realidade, no entanto, seria outra. Neste sentido, é ressaltado que em outros portais de avaliação de parlamentares, Tebaldi aparece muito bem colocado, por serem avaliados critérios mais abrangentes do que os que são auferidos pelo “politico.org.br”.

As excessivas faltas do parlamentar nas sessões da Câmara Federal, que lhe tirou pontos no ranking, por exemplo, seriam em decorrência de uma licença médica, “mas isto não é levado em consideração”, passando, meramente, a impressão de displicência. De minha parte também observei várias outras falhas na avaliação, especialmente de cunho ideológico.

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