Rolando Christian Coelho
20/10/2017 12h00

Bolsonaro: “Não leram, ou não entenderam”

Rolando Christian Coelho - Coluna 20/10/2017

“Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade do que de máquinas. Mais de bondade e ternura do que de inteligência. Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá”.

Charlie Chaplin (1889/1977) – Ator, diretor e empresário inglês

Bolsonaro: “Não leram, ou não entenderam”

Ontem escrevi artigo intitulado “O ‘perigo’ Bolsonaro é mais que real”. Em sua essência, o artigo ressaltava as qualidades do deputado fluminense, que é pré-candidato à Presidência, enfatizando, até mesmo, que enganava-se quem imaginava que ele seria uma nova verão do ex-líder do Prona, Enéas Carneiro.

O artigo também ressaltava que o crescimento da popularidade de Bolsonaro tem se dado por conta do aumento da corrupção e da violência no país, que são temas francamente combatidos por ele. Ressaltava, por fim, que Bolsonaro, caso seja eleito presidente, terá dificuldade em governar, justamente porque suas posições contradizem o que já está encastelado em nosso sistema de poder.

Interessante notar que, embora o texto, em sua quase totalidade, faça boas referências ao deputado, ainda assim grande parte de seus seguidores o criticaram. A impressão que me foi passada é que a maioria leu apenas a chamada principal, dando conta de que “O ‘perigo’ Bolsonaro é mais que real”. Para piorar, os mesmos seguidores parecem não ter observado que a palavra ‘perigo’ estava entre aspas, o que significa, na linguagem jornalística, que o perigo está direcionado a quem não o quer na Presidência.

Afora estas questões ligadas diretamente ao texto, tem me chamada cada vez mais a atenção o pragmatismo com que são absorvidas as notícias jornalísticas, o que inclui as colunas políticas. Estou tendo cada vez mais a impressão de que os leitores não leem os conteúdos das informações, e, ainda assim, saem emitindo opiniões a torto, e a direito. Pior ainda são aqueles que leem e não entendem, ou meramente se fazem de desentendidos, apenas para extravasarem suas emoções.

Não à toa o mundo está cada vez mais vazio, e menos cheio de valores. Hoje em dia a maquiagem vale mais que a personalidade da mulher. Os músculos valem mais que a ombridade do homem. Tudo está se resumindo a uma tábua rasa, a uma guerra de pedras e paus, onde o vencedor é aquele que se dispõe a ofender mais.

Neste sentido, na seara política, no que concerne a primeira parte deste artigo, não se escapam nem os defensores de Bolsonaro, nem os contrários a ele. A agressividade é a mesma. Já no que diz respeito aos meus artigos políticos, lastimo que apenas as manchetes estejam sendo atraentes, até porque, me esforço muito para prover bons conteúdos. De repente, no futuro, este seja o destino dos jornalistas: publicar apenas manchetes. Desta forma, cada um poderá contar para si próprio a história que quiser. Será bem mais confortável para o leitor, pois nada o conflitará. Ele também não perderá tempo refletindo. Quem gostará disto são aqueles que estão lá em cima, manipulando as cordinhas das marionetes, até porque, quanto menos se sabe aqui embaixo, mais se ganha lá no alto.

Haja cuspe

Na terça-feira Senado Federal anulou decisão do Supremo Tribunal Federal que havia decidido pelo afastamento do senador Aécio Neves (PSDB), e por sua prisão domiciliar noturna, sob a acusação de corrupção e obstrução da justiça. Ontem o Superior Tribunal de Justiça mandou soltar o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, que havia sido preso no início do mês, sob acusação de participação direta em um mega esquema de corrupção para comprar votos para que o Brasil se tornasse a sede das Olimpíadas de 2016. Interessante que nem mesmo diante da mais longínqua e profunda crise institucional de nosso país, as autoridades constituídas têm se dado conta de seus desmandos. A não ser que o judiciário e o legislativo nacional estejam irmanados no objetivo colocar o Brasil em estado de insolvência social. Só isto explica tanto cuspe na cara do povo brasileiro.

PDT com PSD

Deputado estadual Gelson Merísio, pré-candidato do PSD ao Governo do Estado, tem conversado de forma sistemática com o deputado estadual, e presidente do PDT catarinense, Rodrigo Minotto. O objetivo é o de trazer os brizolistas para dentro da tríplice aliança, já composta previamente por PSD, PP e PSB. As tratativas neste sentido estão bem adiantadas, e é bem possível que o PDT de fato faça parte desta composição. Em 2014 o partido já esteve aliado ao projeto de reeleição do governador Raimundo Colombo (PSD), mas influenciado a isto, em grande parte, pelo PMDB, do então candidato a vice, Eduardo Moreira. O apoio do PDT ao PSD, no entanto, pode bater na trave lá adiante, dependendo das convenções nacionais. Caso o ex-presidente Lula da Silva (PT) fique impedido de concorrer ao Planalto ano que vem, e seu partido convirja para a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT), fatalmente o PDT catarinense terá que apoiar o projeto do PT catarinense, que almeja lançar Décio Lima ao governo.

Organizando

PP catarinense definiu que cada uma das regiões do Estado terá pelo menos um candidato a deputado estadual. No Sul catarinense estão mapeadas três candidaturas. Uma para nossa região, outra para a região de Criciúma, e uma terceira para a região de Tubarão. Em princípio, o já deputado José Milton Scheffer será o candidato do PP de nossa região. Por sua vez, o também deputado, e atual Secretário de Estado, Valmir Comin, deverá concorrer pela região de Criciúma. Já pela região de Tubarão são ventilados os nomes de Pepe Colaço, Laércio Menegaz e Deka May. “Nas regiões maiores, como na Grande Florianópolis e na região de Joinville, poderão existir duas candidaturas, talvez até uma terceira, mas isto é algo que precisa ser construído. O que convém ressaltar agora é a disposição e organização do PP com vistas à 2018”, ressalta o deputado Zé Milton, um dos articuladores do PP Estadual.

Só os bons

Convenções municipais do PMDB, marcadas para este final de semana, estão movimentando o meio político regional. De Florianópolis, vice-governador Eduardo Moreira (PMDB) solicitou aos caciques políticos regionais do partido fiquem atentos quanto a composição das executivas, já que 2018 é ano de eleição estadual. A observação também foi ressaltada pelo deputado estadual Manoel Mota (PMDB), que solicitou a escalação de um time de primeira linha nos comandos municipais. A preocupação é mais do que válida. São os diretórios, e em especial as executivas dos partidos, que movimentam a máquina política nos município. Por conta disto, em véspera de ano eleitoral não há como apenas encher morcilha nos comandos partidários. Em Sombrio, por exemplo, prefeito Zênio Cardoso (PMDB) tem se dedicado pessoalmente a composição do diretório e executiva do partido. Nunca é demais manter um olho no gato e outro no peixe.

Os textos dos Blogs são opinativos e de responsabilidade dos autores. Não significa que a opinião expressada por eles seja a mesma do Grupo W3.

Recomendadas para você

Outras notícias