Rolando Christian Coelho
18/10/2017 12h00

Afinal, quem comprou quem nesse país?

Rolando Christian Coelho - Coluna 18/10/2017

“A humildade e o orgulho são dois irmãos gêmeos. O primeiro habita o Ser daqueles que possuem conhecimento. O segundo habita aqueles que são vazios, e, por conta de sua ignorância, bebem no cálice da igualmente vazia soberba”.

Leonardo da Vinci (1452/1519) - Cientista e artista italiano

Afinal, quem comprou quem nesse país?

Ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, pretende pedir a anulação da votação na Câmara dos Deputados que levou ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT). O pedido, a ser impetrado no Supremo Tribunal Federal, deverá ter como base a delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, que afirmou ter lavado dinheiro de corrupção para que o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), comprasse votos de parlamentares para que estes votassem a favor da cassação da petista.

Se a moda pega, vai ser difícil acharmos o fio da meada nessa história de compra de votos. A não ser que alguém acredite que o PT conseguiu se manter na Presidência da República, por três mandatos e meio seguidos, por conta de suas políticas sociais. Aliás, nem o PT, nem nenhum outro partido que já tenha chego a Presidência nesse país conseguiu terminar o mandato sem fazer acertos diretos e indiretos com deputados e senadores.

E nessa história de compra e venda de votos não são muitos aqueles que têm moral para jogar pedras nos corruptos lá de cima. Basta observarmos a parafernalha que são as eleições no Brasil, em todos os níveis, com o título do eleitor sendo um quase mero objeto de troca. Muitas vezes a venda do voto não se dá através de uma transação direta, em que o eleitor recebe um valor determinado para votar em fulano ou beltrano. Mas se dá através de favores, de apadrinhamentos, de benefícios diretos e indiretos, a este ou aquele outro, algo, infelizmente, já intrínseco no nosso sistema eleitoral.

Não há como chamar José Eduardo Cardoso de demagogo, até porque, como excelente advogado que é, está partindo em defesa de sua cliente. No entanto, seus argumentos morais são fracos. Ainda que Dilma não tivesse comprado ninguém no Congresso, o sistema governamental comprou para ela. Não tivesse comprado, provavelmente não teria terminado sequer seu primeiro mandato.

A fonte de todo mal, por óbvio, não é nem Dilma, nem seu advogado, como do mesmo modo não é nenhum dos demais presidentes que concluíram seus mandatos, ou que foram afastados dele por forças ocultas. A fonte é o próprio eleitor brasileiro, que não se custa em trocar o futuro de seus próprios filhos por quinquilharias. No afã do lucro imediato, ou do benefício pessoal a médio e longo prazo, o eleitor acaba transformando seu título eleitoral em um cartão de crédito, cuja conta será paga por ele próprio, só que de forma subliminar. É desta operação que derivam os maus políticos, os calhordas, os corruptos, aqueles que, de forma contraditória aos verdadeiros interesses na nação, comandam nosso país. É mais ou menos como se condenássemos os traficantes, mas consumíssemos as drogas que os mantém no poder.

Investimentos

Prefeito de São João do Sul, Moacir Teixeira (PSD), deverá dar início nos próximos dias a construção de uma creche da localidade de Vila Catarina, com capacidade para atender 120 crianças. A obra, orçada previamente em R$ 690 mil, será construída com recursos próprios. Moacir também deverá dar ordem de serviço, em breve, para a pavimentação de mais um quilômetro de asfalto da rodovia municipal que liga a sede do município à localidade de Nova Fátima, passando pelo Santuário de Frei Adercide. Recursos na ordem de R$ 1 milhão foram conquistados junto ao Ministério do Turismo, mais uma vez, por intermédio do senador Valdir Raupp (PMDB/RO). O investimento contemplará, também, a implantação de uma ciclovia ao longo do trecho que será pavimentado. Outros 700 metros já pavimentados recentemente também receberão pista exclusiva para ciclistas.

Mui amigo

Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deu uma de Amigo da Onça com o senador Aécio Neves (PSDB), e também com o presidente Michel Temer (PMDB), ao determinar que a votação para afastar o tucano do Senado Federal fosse realizada de forma aberta. Temer, que foi quem indicou Moraes para o STF, queria proteger Aécio, já que o senador mineiro é um dos que mais trabalha para que o PSDB se mantenha aliado ao PMDB no Congresso Nacional. Vale lembrar, também, que Alexandre de Moraes era filiado ao PSDB de Aécio Neves, e foi indicado pela cúpula tucana para ser Ministro da Justiça do governo de Michel Temer, com quem já tinha afinidade. A votação aberta, obviamente, jogou a opinião pública contra o Senado Federal, que foi pressionado a manter o afastamento e prisão domiciliar de Aécio, acusado por corrupção e obstrução da justiça. Para sorte de Aécio e Temer, a pressão não surtiu efeito. Pelo menos o PT não teve grandes problemas com seus indicados para o STF, tanto é que Zé Dirceu está em casa, assistindo os últimos capítulos de A Força do Querer.

Paz e amor

Presidente do PMDB de Araranguá, Anísio Prêmoli, diz que não será óbice para a eleição do empresário César Antônio Cesa ao comando da sigla, em convenção prevista para ocorrer no próximo dia 22. César deverá ter como seu vice o também empresário Emerson Almeida. De forma velada, Anisio e César protagonizaram disputas internas no PMDB nos últimos tempos, mas, pelo visto, isto faz parte do passado. Pelo menos Anísio tem se esforçado para deixar transparecer isto. “Não vou atrapalhar o projeto de ninguém. Se o César quer ser presidente, tem meu apoio. Eu não vou me dispor a continuar como presidente porque preciso cuidar um pouco mais da minha vida pessoal, da minha família”, comenta o atual presidente, ressaltando que está numa fase “paz e amor”. De acordo com Anísio, “o mais importante é que o PMDB consiga chegar a um denominador comum para disputarmos a eleição de 2020 e vencê-la”.

Cara na rua

Araranguá ganhou ontem um outdoor que faz alusão a candidatura presidencial do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ). Outros dois já foram fixados no Sul do Estado: um em Criciúma e outro em Tubarão. A promessa dos apoiadores do polêmico deputado, no entanto, é a de que todas as principais cidades catarinenses tenham pelo menos um outdoor do parlamentar. O material publicitário enfatiza algumas bandeiras que vêm sendo levantadas por Bolsonaro, como a defesa da redução da maioridade penal, o combate a corrupção e a aplicação de penas mais rígidas para estupradores. Neste item, o deputado é defensor da ideia da castração química dos abusadores. Na tentativa de desvincular Bolsonaro da acusação de estar promovendo propaganda eleitoral intempestiva, seus seguidores têm dito que todo o material publicitário é bancado por doações, sem ligações diretas a seu partido, ou a sua pessoa. Quem despreza o potencial de Bolsonaro se engana. O terreno político no Brasil está mais do que propício para a nacionalização e consolidação de líderes políticos como ele.

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