Rolando Christian Coelho
25/09/2017 12h00

Bolsonaro vai virar moda em 2018

Rolando Christian Coelho - Coluna 25/09/2017

“Sonhar todo mundo sonha. Agora, para tornar um sonho realidade é preciso pagar um preço. Não existem sonhos que tenham se tornado realidade somente porque o sonhador queria que tal coisa acontecesse”.

Silvio Santos (1930) – Empresário e apresentador de televisão

Bolsonaro vai virar moda em 2018

Deputado federal pelo PSC do Rio de Janeiro, o capitão do Exército Jair Messias Bolsonaro, de 62 anos, tem tudo para se tornar a grande sensação da eleição presidencial do ano que vem. Adepto de um posicionamento político enquadrado como extrema-direita, o parlamentar tem sido a ressonância da voz daqueles que não toleram mais a explícita desestruturação do sistema social brasileiro, evidenciada principalmente através do aumento da violência e dos alarmantes casos de corrupção no setor público, que assolam o país.

O pragmatismo das soluções propostas por Bolsonaro é o que mais tem agradado seus admiradores. Bem ao estilo ‘bateu, levou’, o deputado não esconde sua afeição pela implantação de uma ideologia militarista para normatizar a conduta dos brasileiros. Fala isto abertamente, sem constrangimentos, ao ponto de ter exposto em seu gabinete, na Câmara Federal, quadro com as fotografias dos cinco presidentes militares que comandaram o Brasil entre 1964 e 1985.

Na prática, o crescimento da simpatia por Jair Bolsonaro junto a opinião pública, nada mais é do que o crescimento da antipatia do povo brasileiro pelo o que está posto hoje no Brasil. Estamos numa espécie de beco sem saída, reféns de poderes totalmente carcomidos pela corrupção, e de uma sociedade que tem se degradado cada vez mais, reflexo natural da falta de normatização a que deveria estar submetida. Imagine, por exemplo, os bilhões desviados da Petrobrás sendo investidos em sistemas de segurança e educação nas favelas do Rio de Janeiro. É muito provável que neste momento o Exército não precisasse estar por lá empunhando fuzis na tentativa de devolver uma relativa, e efêmera paz, àqueles moradores de bem.

A bem da verdade, Bolsonaro é meramente reflexo da falta de sobriedade daqueles que são seus principais críticos, e que nos últimos 30 anos, ao invés de se dedicarem a aplicar as riquezas do Brasil na organização do país, se dedicaram a roubar o que deu e o que não deu. Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobrás, e um dos primeiros delatores da Lava Jato, deixou isto bem explicitado, quando disse ter R$ 180 milhões depositados em contas no exterior fruto de ações ligadas a corrupção. De acordo com Barusco, “o dinheiro não tinha valor, porque, como era muito, não se tinha nem o que fazer com ele”. Imagine quantos Baruscos ajudaram a enterrar o Brasil nos últimos anos, jogando uma geração inteira, e sabe-se lá quantas outras, num poço sem fundo.

Confusão

Vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB) parece disposto a dar um nó na cabeça do eleitorado catarinense, mas, especialmente, na cabeça de seus correligionários. No início do ano se disse pré-candidato ao Governo do Estado. Depois disse que o PMDB deveria discutir mais amplamente o nome do candidato do partido ao governo, e, no embalo, lançou o prefeito de Joinville, Udo Döhler (PMDB) a sucessão de Raimundo Colombo (PSD). Ato seguinte se disse fechado com a candidatura do deputado federal Mauro Mariani a governador. Já, no último final de semana, durante evento em Joinville, disse considerar boa a alternativa de ter o senador Paulo Bauer (PSDB) como candidato a governador, “com Moreira concorrendo ao Senado”. Se a estratégia do vice-governador é a de criar uma confusão generalizada, ele está conseguindo. Problema é que na política esse tipo de situação também cria descrédito generalizado.

Conhecido

Condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex de Guarujá (SP), ex-presidente Lula da Silva (PT) está recorrendo em segunda instância no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que fica em Porto Alegre. Seu processo será analisado pela 8ª turma do TRF, que é composta por três desembargadores. Um deles é Victor Luiz dos Santos Laus, natural de Joaçada, que já foi promotor de justiça em Sombrio, na década de 1990. Victor Laus é formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. No início dos anos 2000 fez concurso para o Ministério Público Federal, ingressando, em 2003, no quadro de desembargadores do TRF. Em Sombrio mantinha sempre uma postura discreta, não alarmista, mas muito rígida no que diz respeito aos interesses públicos. Além dos processos ligados a Lava Jato, Victor Laus também julga no Tribunal Regional Federal os processos da Operação Carne Fraca, cuja repercussão ajudou a atolar de vez com a JBS Alimentos.

Demolição

Demolição de uma quadra esportiva em Balneário Gaivota, que ficava literalmente na faixa de dunas no centro da cidade, causou um misto de começão e alegria em meio a população local. Comoção, porque a referida quadra trazia consigo parte da história do próprio município, já que há anos ela era palco de atividades esportivas. Alegria por conta do cumprimento do ordenamento jurídico, que determina que áreas de preservação permanente sejam respeitadas. A decisão judicial que sentenciou a demolição atendeu pedido do Ministério Público. Por dois anos a prefeitura de Gaivota tentou reverter a ordem, mas acabou tendo que acatar a sentença final, sob pena de pagamento de pesada multa de R$ 50 mil. Bem ao contrário de Gaivota, em Balneário Arroio do Silva o cidadão tem praticamente que passar pelo pátio das residências para chegar na praia, já que a faixa de dunas está totalmente tomada por propriedades. Um peso, duas medidas.

Volta da taxa

Prefeitura Municipal de Araranguá enviou projeto de lei ao legislativo solicitando autorização para promover mudanças no sistema tributário do município. O objetivo, por óbvio, é o de aumentar a arrecadação no que diz respeito à receita própria. Dentre as medidas para arrecadar mais, está inserida a volta da taxa para se atravessar a balsa que liga a sede do município ao distrito de Hercílio Luz. A travessia deixou de ser tributada na gestão do ex-prefeito Sandro Maciel (PT), o que levou o executivo a ter que bancar totalmente os custos de operação e manutenção da balsa, gerando enorme despesas aos cofres públicos. Para amenizar o impacto da volta da cobrança, o projeto original previa que cada família do distrito poderia ter um carro cadastrado para passar a balsa sem pagar. Uma articulação orquestrada dentro do legislativo, no entanto, fez prevalecer a tese de que todos os moradores das comunidades do distrito de Hercílio Luz não paguem pela travessia. O ônus maior acabará recaindo sobre turistas e motoristas ou transeuntes de ocasião. Menos mau.

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