Saulo Pithan

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Saulo Pithan é jornalista, editor-chefe do Grupo W3, tem especialização internacional em comunicação integrada, já atuou em diversas assessorias de imprensa e também como diretor de comunicação em empresas privadas.

Saulo Pithan
06/07/2016 14h39 - Atualizado em 06/07/2016 16h01

Cartão SUS para os políticos! Quem apoia lê e compartilha!

O fechamento do Hospital de Timbé do Sul mostra a vergonhosa realidade da saúde pública na região! E se os nossos políticos fossem obrigados a provar do próprio veneno?

Cartão SUS para os políticos! Quem apoia lê e compartilha!

E como dizem: a corda arrebenta sempre do lado mais fraco. Após nove meses de resistência e cortando na própria carne, dezesseis funcionários do Hospital Santo Antônio em Timbé do Sul, acabaram jogando a toalha e fechando o único hospital do município que existe há mais de 45 anos.

Foram nove meses de muito trabalho, dedicação total a saúde da população e sem receber nada em troca. Agora faça você o exercício de se colocar no lugar do outro e tente imaginar tendo que trabalhar todos os dias com a responsabilidade de lidar com a vida das pessoas, sem ganhar nada por isso.

Pois este mesmo exercício recomendo aos nossos governantes, e aí incluem-se prefeitos, vereadores, secretários, deputados e por aí vai. Agentes políticos que demonstraram através de uma atitude desumana, total negligência com a realidade social de 16 famílias e a saúde de uma cidade inteira. São mais de 6 mil habitantes sem hospital.

Certamente eles não devem ter conseguido imaginar por exemplo, como estas 16 famílias estão tendo que sobreviver e garantir o próprio sustento com um atraso que ultrapassa nove meses de salário. Ou então como aqueles moradores do alto da Serra, sem qualquer condição de locomoção terão que fazer para conseguir atendimento de saúde durante a madrugada quando os postos de saúde estiverem fechados e o hospital também. Acredito mesmo que faltou não apenas reflexão, mas humanidade e bom coração.

Cortar recursos para a saúde é um ato de violência extrema contra a população. E me perdoem os políticos que alegam hoje uma falta de controle nos recursos. Saúde sempre foi e sempre será prioridade. A vida não pode esperar e ela também não tem preço.

Se hoje falta recursos para saúde, isso é apenas reflexo da ingerência e descontrole dos gastos. Quem semeou a crise através da falta de planejamento, colhe hoje os frutos amargos da irresponsabilidade.

Antes de querer cortar na carne da população, tirando dela o direito ao acesso à saúde pública, que nossos ilustres governantes sacrifiquem seus secretários improdutivos, seu séquito de puxa-sacos inúteis, seus salários nababescos, seus privilégios de marajás, suas farras de diárias... e que fechem, sobretudo as torneiras da corrupção, que tanto tem servido a seus partidos políticos.

Cartão SUS pra eles!

O dia em que os eleitos e seus comparsas forem obrigados a colocar os filhos em escolas públicas e se tratarem no SUS, a coisa melhora!
Queria ver esses senhores provarem do próprio veneno e buscarem tratamento nas filas do SUS, como qualquer mortal.

Por isso, sou totalmente favorável à criação de leis que obriguem homens públicos a usar serviços públicos, afinal, o exemplo vem de cima!

Boeira não sabia de nada!

Mas o que chama atenção é que alguns dos nossos representantes nem conhecimento do problema demonstram ter. Pasmem, que o deputado Jorge Boeira, discursou ontem por exemplo que não tinha conhecimento da situação do Hospital de Timbé do Sul, situado na região do Extremo-Sul Catarinense, seu principal reduto eleitoral.

Partindo do princípio que fomos nós que o elegemos, temos todo direito de cobrar uma postura mais atuante do nobre representante, que no mínimo demonstra estar bem desinformado da realidade regional.

É que assim como ao deputado Jorge Boeira e seus 512 colegas parlamentares eleitos para representar o Brasil na Câmara Federal, não falta um bom plano de saúde para tratamento.

Nossos agentes políticos gozam de muitos privilégios e entre eles um pomposo plano de saúde que é vitalício, Ilimitado, Extensivo a parentes e aderentes... Não tem fiscalização. Não passa por perícia. Não exige qualquer contribuição ou contra-partida. E o pior: é bancado com dinheiro público. Ou seja, a conta dos gastos deles é bancada por você, desavisado contribuinte.

Mas pra que essa choradeira né? Isso não é um privilégio exclusivo dos nossos deputados! Claro que não! O plano de saúde "top do momento" é extensivo à Senadores e, também, ao Executivo, onde presidente e ex-presidentes são tratados bem longe dos hospitais públicos que eles tão mau administram.

A moral da história é a seguinte: Nós bancamos a saúde VIP dos políticos, em troca, eles nos bancam o SUS. Em outras palavras, para os amigos do rei, o luxo. Para o povo, os impostos.

E sabe porque o SUS é tão ruim e com a tabela defasada há décadas no Brasil? O SUS só é ruim porque é destinado ao povo. Por que dele não fazem uso aqueles que deveriam geri-lo com competência e seriedade.

E como eu disse no início do texto, a corta sempre arrebenta do lado mais fraco!

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