Waltão Sintonizado
19/05/2017 18h42

Brasil a caminho da falência política

Presidente recebeu no porão do Jaburu alvo de cinco operações da PF. JBS pagou a título de “mesada” R$ 5 milhões a Cunha. MPF quer que JBS pague R$ 11,1 bilhões para um acordo. Lula e Dilma receberam US$ 150 milhões da JBS

Joesley Batista (sócio da JBS) e o presidente Michel Temer

A decadência de um presidente da República

Quando se pensa que não há como se afundar mais na lama, eis que surge um buraco no meio dela impregnado de algo bem mais fétido. A atitude do presidente Michel Temer (PMDB) é indigna até as pessoas dotadas de infinita promiscuidade política, recebendo em pleno porão do Palácio do Jaburu, uma megaempresário que já era alvo de 5 operações da Polícia Federal.

Afinal, qual a explicação para o presidente da República receber alguém que é alvo de investigações da Polícia Federal por pagamento de propinas. Pagamentos investigados, inclusive, para aliados e partidários do presidente?

Um encontro às escuras, não foi no Palácio do Planalto encaixado na agenda presidencial, foi praticamente às 23h na residência do presidente. Um encontro clandestino que teve como resultado o desencadeamento de uma crise sem precedentes na política brasileira e que ao sair um dos sócios da JBS, Joesley, se vangloria do que fez e de como tudo deu certo como esperava “Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome”.

Presidente Temer, envolto um mar de lama que segue afundando

Se tivesse vazado tão somente que o presidente da República recebeu, em altas horas da noite, na sua residência, um empresário investigado pela Polícia Federal, já seria motivo para um escândalo de grande ordem, com a gravação e divulgação do que conversaram não se fala mais nem em escândalo, mas sim um escarnio político em que alguém terá que pagar e partindo do pressuposto de que a JBS já compôs acerto judicial, quem sombra para acertar as contas com a Nação? Temer é óbvio.

O teor da conversa entre Joesley e Temer

Nada como ter amigos para conversar abertamente sobre os problemas que assolam nosso dia-a-dia e Joesley achou um excelente ouvinte, Michel Temer o qual por quase 40 minutos não se importou com o horário, nem com o fato de estar recebendo um investigado da Polícia Federal e foi todo ouvido.

A intimidade entre Temer e Joesley se revelou grande na conversa que mantiveram. O empresário quis saber como estava à relação de Temer com o ex-deputado, ex-aliado, Eduardo Cunha. Ouviu então do presidente em voz meio amargurada que Cunha tentou envolve-lo arrolando ele como testemunha de defesa, visivelmente buscando intimidá-lo.

Eduardo Cunha até ameaçou, mas nada que R$ 5 Milhões não possa fazer mudar de ideia

Como bom amigo que sempre foi Joesley tentou tranquilizar o presidente, colocando-se a sua disposição. Afirmou que tinha zerando as pendências devidas a Cunha uma vez que a pressão sobre o empresário tinha sido grande. Zerou e tirou, segundo ele, Cunha “da frente”. Posteriormente o empresário, ainda referindo-se a Cunha, diz que melhor é “ficar de bem” e recebe um incentivo presidencial “Tem que manter isso, viu?”.

O empresário também aproveita a conversa para falar ao presidente de seus problemas com a Justiça e fala abertamente sobre algumas propostas de corrupção aceitas que eliminaram alguns problemas, colocando alguns juízes em suas mãos, além de um procurador que lhe passa informações privilegiadas. E o presidente amigo responde com ar de satisfação “Ótimo, ótimo”.

Na animada conversa o empresário aproveita para reclamar de um serviçal do presidente, ninguém menos que o ministro da Fazenda. Diz abertamente que tem enfrentado a resistência do ministro para conseguir a troca de altos funcionários do governo na área econômica. O empresário tinha nomes para assumirem a secretaria da Receita Federal, a presidência do BNDES, a presidência do Cade e a presidência da CVM. Pediu então se poderia mencionar o nome de Temer quando fosse ao encontro do ministro e recebeu a autorização do presidente “Pode fazer”.

E a conversa se estendeu, dentro de um contexto de amizade recíproca levando-nos a concluir que o presidente perdeu as condições de moralidade e ética para continuar governando o Brasil.

STF liberou os vídeos da delação da JBS, mais podridão vindo a tona

O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou nesta sexta-feira (19) o conteúdo das delações premiadas dos empresários sócios da JBS, Joesley e Wesley Batista no que diz respeito a Lava Jato. As delações tiveram homologação por parte do ministro Luiz Edson Fachin.

Em um dos vídeos Joesley revela que foi ao Jaburu dizer ao presidente Temer que já havia pago a mensalidade devida a Lúcio Funaro e que pagou R$ 5 milhões ao todo para Eduardo Cunha.

O delator afirmou que Temer ressaltou que era importante manter os pagamentos mensais de R$ 400 mil a Lúcio Funaro, indicado como operador do ex-deputado Eduardo Cunha assim seria possível, ainda segundo o delator “garantir o silêncio”.

Acordo entre MPF e JBS: pagamento de R$ 11,1 bilhões.

Os procuradores defendem que a JBS deverá pagar o valor de R$ 11,169 bilhões, em um prazo de dez anos, o que equivaleria a 5,8% do faturamento obtido pela empresa em 2016. O Grupo J&F administradores da JBS ofereceram o pagamento de R$ 1 bilhão, o equivalente a 0,51% do faturamento da empresa no ano passado.

Assim sendo, o Ministério Público Federal emitiu a seguinte nota “Diante da divergência em relação ao valor a ser pago pela J&F, o Ministério Público informou aos negociadores do Grupo que a empresa tem às 23:59:59 desta sexta-feira(19) para responder se aceitará o valor sugerido pelo MPF. Se isso não acontecer, o Ministério Público considerará expirada a proposta”.

A negociação dos valores a serem pagos começou em fevereiro e ocorre paralelamente às negociações das delações premiadas com os executivos da empresa, as quais já foram homologadas no STF.

Delação da JBS aponta pagamento de US$ 150 milhões a Lula e Dilma

A delação da JBS indica como recebedores de pagamentos ilegais os ex-presidentes petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef. As afirmações de pagamentos foram ratificadas pelo executivo Ricardo Saud, o qual confirmou depósitos em contas no exterior tanto de Lula, quanto de Dilma. Os saldos destas contas até o ano de 2014 girariam em torno de US$ 150 milhões, ressaltando que estamos falando em dólares.

Delação de Joesley Batista indica que Lula e Dilma receberam em torno de US$ 150 milhões

Guido Mantega, ex-ministro, foi apontado como um dos intermediários dos pagamentos que eram devidos em razão de esquemas ilegais junto ao BNDES e em fundos de pensão. Outro intermediário era o ex-ministro Antonio Palocci, que, somente a título de exemplo, em 2010 teria recebido R$ 30 milhões para campanha de Dilma.

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