24/08/2016 17h26

Brasil se prepara para o último ato do processo de impeachment de Dilma

O Senado irá definir se Dilma Rousseff se tornará a primeira presidente do Brasil a perder o cargo por julgamento do Legislativo

Os últimos passos do processo de impeachment contra Dilma Rousseff serão dados. O Senado decidirá se ela irá ou não perder o cargo de presidente da República

Após três anos de protestos e processos, chegou a hora. A última etapa do processo de impeachment contra Dilma Rousseff começa nesta quinta-feira (25) e está prevista para durar seis dias. Até agora, 48 dos 81 senadores declararam publicamente a intenção de votar contra a presidente afastada. Para o afastamento definitivo, são necessários 54 votos.

Nos dois primeiros dias, serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. Em 29 de agosto, Dilma vai pessoalmente depor no Senado, para tentar convencer os últimos indecisos. A votação final é esperada para a madrugada de 31 de agosto.

Dilma é acusada de crime de responsabilidade, por ter editado três decretos de créditos suplementares sem autorização do Congresso e por praticar as chamadas pedaladas fiscais, que são atrasos nos pagamentos da União para o Banco do Brasil em subsídios concedidos a produtores rurais através do Plano Safra.

Defensores do impeachment defendem a legalidade do processo, opositores, o chamam de golpe. O comportamento da senadora Kátia Abreu é particularmente curioso. A ex-ministra da Agricultura pertence ao PMDB, que comanda o impeachment de Dilma. Entretanto, Abreu é contra o afastamento. "Não havendo provas do crime do qual acusam a presidente, ela não pode ser afastada de um cargo no qual foi posta pela maioria dos brasileiros", afirmou ela.

Mas embora os argumentos jurídicos e penais pelo impeachment sejam fracos, o descontentamento político com Dilma continua grande. "Não há mais qualquer dúvida: o impeachment já é certo", diz o ex-ministro da Energia, Eduardo Braga, que vai votar no Senado contra a presidente. "Dilma não pode governar sem maioria, ela precisa reconhecer sua situação com humildade."

Michel Temer e suas promessas

Na batalha para ganhar a confiança do eleitorado, o presidente interino Michel Temer (PMDB), por sua vez, tenta explorar politicamente o sucesso dos Jogos Olímpicos do Rio - embora tenha preferido se abster da cerimônia de encerramento para não correr o risco de ser vaiado.

Em um artigo para o jornal O Globo , ele garante que manterá o apoio do governo ao esporte de alto rendimento. "Vamos continuar a manter os grandes projetos no Ministério do Esporte e será mantida nossa política esportiva para nos tornamos, no futuro, uma potência olímpica", escreveu.

Temer já se vê como sucessor de Dilma e, em seu artigo, manda algumas farpas na direção da presidente afastada. "Vamos trabalhar para superar todos os desafios e limites impostos nos últimos anos", escreve. "Temos somente uma certeza: vamos vencer."

Nos bastidores, o presidente em exercício já está planejando sua posse oficial. E ele tem pressa, quer que o resultado saia a tempo de embarcar rumo à cúpula do G20 em Hangzhou, na China, marcada para os dias 4 e 5 de setembro. Ele quer chegar já como chefe de Estado e não mais como interino. Um atraso na votação no Senado frustraria esses planos.

Mas Temer vai precisar ter paciência. O resultado final não deve ser revelado antes da madrugada de 30 para 31 de agosto. Quatro senadores ainda não decidiram como irão votar, dez não querem revelar publicamente sua decisão.

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