Maiara Possamai
14/11/2017 13h24

Amamentação sem leite, com amor

Dois relatos reais de mamães que não puderam amamentar no peito.

Amamentação sem leite, com amor

Quando engravidamos, muitas são as expectativas. E entre as principais, sem dúvidas, está a amamentação! Toda futura mamãe sonha com esse momento e espera muito por ele. O que nenhuma de nós está preparada é para não amamentar, ninguém espera que não terá leite, ou que por algum motivo não poderá amamentar seu filho...

Nas últimas semanas, devido a repercussão do blog, tenho conversado bastante com algumas mamães e entre estas conversas, encontrei duas que não puderam dar de mama. Conversando com elas, achamos interessante divulgar os seus relatos para mostrar que apesar de frustrante no início, não há nenhum problema em não amamentar no peito – e precisamos desmistificar este tabu!

Amamentar é, sem dúvidas, um ato de amor, mas não amamentar não significa que você não ame seu filho. Muito pelo contrário, é preciso ainda mais amor e dedicação para enfrentar esta situação. No relato de Érica Moretto e Alice Zanchett, nós aprendemos que para mamães dedicadas não há limites para amar! Confira:

“A minha gravidez foi planejada, foi uma gestação maravilhosa, não tive nenhum problema, a não ser uns enjoos e muito sono nos primeiros três meses – o que é normal.Trabalhei praticamente ate os últimos dias.

Depois de nove meses de espera, chegou o grande dia: nasceu o Pedro de parto cesáreo, um menino lindo e cheio de saúde pesando 3,410 kg e medindo 49 cm - um momento muito emocionante, uma sensação que só quem passa pode explicar. Fui levada para a sala de recuperação até passar o efeito da anestesia - nesse período que fiquei ali deitada as enfermeiras traziam ele pra ficar pertinho de mim, e colocavam ele no peito pra dar de mamar, mas não tinha sinal de leite.

Fui para o quarto após o período de cinco horas, e começamos a por o Pedro no peito - como no começo tudo é difícil porque eu sou mãe de primeira viagem, eu até estava achando normal não descer o leite, por ter feito cesárea diziam podia demorar mais tempo pra descer, então eu não me preocupava muito, estava mais calma.

Ele ate deu uma sugada, eu senti isso. As enfermeiras muito atenciosas, o tempo todo estavam ali me incentivando e me orientando pra por ele no peito, ate porque quanto mais ele mamasse, mais leite desceria. Mas isso não acontecia e como elas perceberam que o leite não estava descendo, iniciaram com a fórmula (leite Nan). Foi assim os três dias no hospital, sempre colocando ele no peito, pra estimular o leite a descer...e dando fórmula.

Antes de sair do hospital falei para a médica que meu leite não estava descendo, ela me passou alguns chás e um remédio. O pediatra me dizia que não era pra mamadeira porque se não ele não iria pegar mais o peito depois.

Chegando em casa comecei a dar o peito e esse leite nada de descer, o menino chorando, e o meu desespero começou a aumentar. Já era o quarto dia de tentativa, usei a bomba de tirar leite e tudo o que saía eram três gotas! Nesse período estávamos dando o leite (Nan), mas no hospital elas usam técnicas pra dar o leite e não e na mamadeira, e em casa eu tive que dar na mamadeira sim, fui obrigada.

Mas eu não desisti, tinha esperança que iria descer, eu estava sempre ali, colocando ele no peito, fazendo massagem, colocando a bomba pra estimular e tomando chá, estava usando spray no nariz - que a médica havia me passado também. Tudo o que me ensinavam, praticamente fiz tudo!

E os dias foram passando e cada vez menos descia leite, eu sentia que o meu peito não estava cheio, estava normal. Foram mais de 10 dias nessa tentativa - eu já ouvia das pessoas que se não tinha descido até agora é porque eu realmente eu não teria leite. Foi muito triste, eu não me aceitava como mãe, não ter leite pro meu filho, sabendo dos benefícios que ele tem. Muitas coisas passavam na minha cabeça nessas horas: será que meu filho vai ser saudável?

O pouquinho de leite que descia na bombinha eu botava na mamadeira junto com o Nan, dava muito valor para aquelas gotinhas, para mim elas eram preciosas! Até que chegou o momento em que parei de tomar chá, de usar a bombinha, porque eu vi que não tinha mais jeito, não teria leite mesmo.

Conversando com outras mães que também não conseguiram amamentar, elas me diziam que seus filhos cresceram saudáveis, normais. Foi o que começou a me confortar e aceitar aquela situação. Mas não foi fácil não, muitas vezes eu chorava de frustração.

Você planeja uma gravidez e nem passa pela cabeça que isso pode acontecer, você compra todos os acessórios que precisa (bico de silicone, conchas, pomada, sutiã de amamentação, blusinhas com abertura especial) e depois acontece isso. Mas aprendi que faz parte da vida de algumas mamães.

O conselho que eu deixo aqui é que não deixem de tentar... Façam de tudo pra poder descer o leite, no meu caso não deu certo, mas ouvi relatos de mães que o leite desceu com 7 ou 8 dias. Esgote todas as possibilidades para só depois desistir – e se realmente você não tiver leite, não desanime!

Hoje meu filho está com 1 ano e um mês, está muito saudável, inteligente e tento alimentar ele com comidas muito nutritivas e naturais!”. Érica Frassetto Moretto Buzanelo, de Meleiro, mamãe do Pedro.

Érica e Pedro

“Eu fui na última consulta pra agendar o parto cesárea, porque desde o início já sabia que não poderia ser normal. E na noite anterior eu tive muita coceira que começou nas mãos e pés e depois espalhou para o corpo. Relatei para a médica e ela pediu para que fosse para o hospital fazer alguns exames. Feitos os exames o resultado deu que eu estava com colestase - uma alergia rara que acontece nas últimas semanas de gravidez. Eu estava de 38 semanas.

O resultado do exame saiu às 17h45. Às 18h eu fui para a sala de parto e às 18h35 o Henry nasceu. Ele foi tirado às pressas, pois estava em sofrimento fetal. Meu marido foi fazer minha internação e ligar pra família e eu fui me preparar para o parto... Foi uma loucura que nem deu tempo de ficar com medo.

Eu não pude amamentar e sei que alguns fatores influenciaram para isso. O leite não desceu no primeiro dia porque o parto foi corrido e, querendo ou não, fiquei nervosa sem querer. Tomei remédio pra descer e quando o leite ia descer, peguei infecção hospitalar. Precisei usar antibióticos e eles inibem a produção de leite, além disso, o fato de o bebê ficar 10 dias sem sugar fez secar tudo de vez. Outro fator que acredito ter colaborado para isso foi uma cirurgia de redução de mama que havia feito.

Mas lógico que eu não estava preparada para isso. Quando nasce um bebê, nasce uma mãe. Eu pensei que logo de início o leite iria descer, que amamentar fosse automático – todas as mães conseguiriam! Mas nem sempre é assim... se você tem o mamilo invertido, redução de mama, parto às pressas, infecção hospitalar e uso de antibióticos (no meu caso), amamentar se torna um desafio. O meu leite chegou a descer, mas quando veio era pouco e logo secou.

No início me culpei, fiquei triste, tomei medicamentos que pudessem ajudar o leite a descer, mas nada resolveu! Sempre quis ter um parto normal, me preparei para amamentar a gravidez toda, para sentir aquela sensação que todas dizem que é maravilhosa, para ter aquele contato olho no olho, a mãozinha dele segurando a minha...

Mas a minha angústia passou quando dei a ‘dedeira’ e teve olho no olho, mãozinha segurando a minha. Amor que bate no peito, também bate na mamadeira. Hoje o meu bebê está com cinco meses, lindo, forte e esbanjando saúde. O amor não muda, o amor é o mesmo, independente da forma de amamentar”, Alice Zanchett, de Araranguá, mamãe do Henry.

Alice e Henry

Depoimentos lindos, verdadeiros e emocionantes, né? Eu adorei poder conhecer um pouquinho da história dessas mamães e desses babies e poder compartilhar aqui com vocês. Elas mostram que apesar de nenhuma mãe estar preparada para o fato de não poder amamentar, é possível superar isso e o segredo é apenas o amor!

Espero que tenham gostado – eu amei e quero agradecer à Érica e à Alice pela colaboração!

Continuem acompanhando o Diário de Mamãe pelo insta @blogdiariodemamae – tem muito conteúdo bacana por lá!

Super beijo da mamãe e da Lara.

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