Rosane Machado
25/11/2019 11h00

PASSARINHO VOOU DE VEZ OU AS DESPEDIDAS ESTÚPIDAS

Coluna Rosane, 25/11/2019

PASSARINHO VOOU DE VEZ OU AS DESPEDIDAS ESTÚPIDAS

Quando morre alguém famoso, sempre lamentamos. Contudo, há aqueles que parecem ser parente da gente! Sabe aquele parente distante que deu certo e a gente tem notícias esporádicas? Pois é, foi assim com o Senna e agora com o Gugu. Conseguiu se aproximar de seu ídolo, Sílvio Santos, muito cedo e tornou-se um grande apresentador.

A quantidade de programas que ele apresentou!!!! Quem nunca deu uma espiadela no Domingo Legal? Recordo-me da Banheira do Gugu, do Cidade Contra Cidade... e da Dança do Passarinho.

Tem coisas que fazem parte de nossa vida quase que obrigatoriamente e costumamos assisti-las hipnoticamente. Muitos criticam, mas a gente dá uma olhadinha e quer saber qual a música da vez, qual a coreografia nova... ah, quando o Tchan aparecia... E o Bonde do Tigrão?

Tempos áureos da TV, em que havia uma certa malícia, mas que, por mais que as atrações se repetissem, a gente assistia, assistia, mesmo que só numa zapeada. Afinal na segunda, muita gente estaria falando da Gabriela Spanic que apareceu no programa do Liberato e que continuava linda e magra!

Quando Ricky Martin surgia, um monte de fofocas eram criadas em torno da masculinidade do apresentador e de sua estreita amizade com o ex-Menudo. Verdade ou mentira, o programa alavancava a audiência do SBT. E lá vinha coreografia...

E uma queda o tirou do ar. Tirou-o da TV, de nossa família famosa, imaginária e distante. Uma queda, um descuido, uma bobagem... Quantos acidentes bobos ceifam vidas, não? Dizem que o espaço que pode mais vitimar as pessoas é justamente dentro de casa, quando a pessoa se sente mais segura. O excesso de autoconfiança traz com ele o desleixo...e aí se parte de modo bobo.

Sair da vida com uma queda? Acho que os famosos tinham que sair da vida como alçaram à fama, de um modo estupendo: um tiro de um fã obsessivo, um acidente de carro espetacular...

A morte por si só é estúpida, porque sempre chega em mau momento. Mário Quintana sintetizou essa sensação de modo singular:

'Esta vida é uma estranha hospedaria,
De onde se parte quase sempre às tontas,
Pois nunca as nossas malas estão prontas,
E a nossa conta nunca está em dia.'

Sem querer fazer um humor negro e desrespeitoso, talvez só as contas do Augusto estivessem em dia... mas acredito, do fundo de meu coração, que ainda não era a hora.

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