Rosane Machado
18/11/2019 13h59 - Atualizado em 18/11/2019 14h28

A TAMPA DO VASO SANITÁRIO EXISTE?

Coluna Rosane, 18/11/2019

A TAMPA DO VASO SANITÁRIO EXISTE?

Faz tempo que não falo em relacionamentos amorosos. Talvez porque esteja focada em outras coisas, preocupada com assuntos que dependem apenas de mim.

Contudo, às vezes, sou de companhia e observo como nós somos diferentes. Como buscamos andar ao lado do outro, mesmo ele tendo hábitos e uma criação totalmente diversa da nossa.

Em um relacionamento heterossexual perpassa mesmo que de longe uma certa subserviência da mulher, um tolerar, um calar para não incomodar-se. Falo em relacionamento hétero porque é o que eu vivo, porque já me questionei como é com pessoas do mesmo sexo.

Fico pensando se com um casal de homens haverá a discussão pela tampa do vaso sanitário aberta e a tábua levantada. Se em um de mulheres, alguma delas reclama da calcinha na torneira do chuveiro...

Cada um tem seus hábitos, manias que determinam quanto tempo podem conviver sem qualquer tipo de estresse. No meu caso, podemos conviver perfeitamente por apenas dois dias... depois há um estranhamento, um ligeiro bufar e revirar de olhos de ambas as partes. Gostamos muito um do outro, mas preservamos nossa individualidade (e nossos problemas) conscientemente.

Pessoas que já tiveram outros relacionamentos, outros casamentos até com filhos, conseguem adquirir uma boa experiência no quesito: como não me aporrinhar com o desnecessário. E quando o tempo passa e ficamos mais velhos, adquirimos uma sabedoria que preserva nosso sacrossanto saco.

O apertar o tubo da pasta de dentes é diferente: eu aperto desde o início e consigo usar até o derradeiro fim deixando-o bem “espremidinho”. O outro aperta no meio... e eu me irrito. Vejam o absurdo! Irrito-me mas não reclamo, apenas “ajeito o tubinho na apertadinha” e o barco segue.

Creio que o banheiro é a prova dos nove, a peça da resistência que mostra se o casal é apto ao convívio ou não. Porque o espelho tem de permanecer limpo, o chão seco e a janela aberta só momentaneamente enquanto o vapor do banho persiste.

Entretanto, jamais em tempo algum fazer uso do vaso sanitário para o número 2 na presença de nosso oponente, digo, companheiro. Trata-se de algo íntimo e nada cheiroso. Todos sabem que defecamos, mas deixemos no imaginário se ficamos com os pezinhos em ponta, se cruzamos as pernas, apoiamos as mãos na cintura em posição de “mulher maravilha” à espera.

Os outros cômodos da casa podem ser perfeitamente partilhados, mas o banheiro... para mim é o ambiente sagrado. É a minha “fortaleza da solidão”. No entanto, a calcinha na torneira do chuveiro é retirada após o banho, mesmo que ela queria dizer que ali continua sendo da minha jurisdição.

 

 

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