Rosane Machado
08/07/2019 11h32

SEM CHOCOLATE?

Coluna Rosane, 08/07/2019

Diante do fim anunciado de uma série de coisas, sem falar no fim do mundo que a cada dois meses é divulgado nas redes sociais. Pesquisei e me apavorei, porque vários empreendimentos estão fadados à eliminação. Vários assuntos já estão com data de validade quase que vencida.

Tento conformar-me com o fim do jornal impresso, porém, os livros? Jamais me acostumarei a deixar de cheirar as páginas de uma impressão novinha. Tenho uma espécie de orgasmo olfativo. O aroma da página impressa é melhor que qualquer perfume francês que eu já tenha experimentado.

As câmeras digitais também têm seus dias contados, entretanto, tenho saudades daquelas que usávamos com filme em rolo. Lembro da expectativa na revelação: esperávamos fotos de um jeito e elas vinham de outro.

Aprendíamos como prender o filme de uma forma que rendia algumas fotos a mais. Também fiz uso dos filmes em preto e branco: a revelação era mais cara... bons tempos.

Não precisávamos de energia elétrica, bateria de pc ou note pra ver as fotos: abríamos os álbuns com as fotinhos ensacadas e nos divertíamos com a falta de foco, o enquadramento mal feito... Ainda hoje há pessoas que as revelam. Particularmente acho fofo e nostálgico.

Outra coisa que está fadada ao fim são os mapas em papel. Quantas vezes eu os desenhei nas aulas de Geografia julgando que seria minha futura profissão! Adorava fazer o contorno, os limites, os rios, os estados (cada um de uma cor diferente), entretanto, a pontinha, a Terra do Fogo, sempre foi o meu secreto roteiro de viagem... um dia, quem sabe?

Também falam que o GPS irá sucumbir! Pra mim não faz falta nenhuma: não tenho a menor ideia do que sejam 200 metros, sudoeste... A criatura sempre diz a mesma coisa: recalculando a rota.

O telefone fixo também sucumbirá. Apesar de achar que ele só recebe dois tipos de ligação: notícias ruins e cobranças. Opa, cobrança também não é notícia boa!

Uma ótima informação é que os despertadores também sumirão do mapa! Pra mim nunca tiveram esse nome, eu os chamo de 'assustadores'! Quem nunca teve um quase infarto?

Cheque também é algo que está adquirindo 'obsolecência'. Poucas pessoas utilizam devido à proliferação de maquininhas e cartões! Assim como os caixas de banco... Como a ida ao banco era agradável: já conhecíamos os operadores e conversávamos sobre a vida, perguntávamos da família...

Podemos até sobreviver sem essas coisas todas, mas saber que o cacau está quase extinto é de uma maldade absurda! Sinto-me às portas do fim do mundo e sem brusinha nova que me motive pra ocasião.

Sem chocolate? Sem chance de não se arquitetar uma 3ª Guerra Mundial. Já ouço a chegada do tropel dos cavaleiros do Apocalipse! Que notícia sem graça!

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