Rosane Machado
04/02/2019 13h35

LADRÕES DE REDAÇÃO

Coluna Rosane Machado, 04/02/2019

Sou professora há mais de vinte anos e sempre ouvi as mais absurdas desculpas pra que algum aluno não tivesse feito o dever de casa, principalmente quando era uma redação. Nunca pedi a mal fadada redação sobre as férias no retorno do ano letivo. Porém recordo de um querido primo que ao colocar o título ‘Minhas desgraçadas férias’, teve seus pais, meus tios, convocados para irem à escola. A inspiração dele foi umas férias-castigo na casa dos avós paternos, em que criança comia depois dos adultos e TV só até as 20h, com programas monitorados e tudo.

A importância de se saber redigir um texto é crucial. Seja pra concursos públicos, vida acadêmica, profissional… Imagine não saber escrever uma ata, uma circular, um memorando, uma petição… Há regrinhas básicas, contudo exercitar é o que nos leva à perfeição textual. Ler muito também é essencial, todavia ler coisas relevantes: livros, bons jornais, revistas com assuntos variados. Um bom vocabulário é ouvido a milhões de quilômetros… imagine se estiver registrado em uma folha de papel.

Ouvi desculpas de toda sorte, a tal 'gangue que rouba redações pra deixar alunos esforçados em situação difícil’, ou então, 'tive um desmaio, voltei sem saber quem era, onde estava e esqueci de fazer a redação’. E teve aquela também em que houve um jogo importantíssimo do Criciúma, onde encontrei muitos alunos da turma e tive de ouvir: 'a senhora por aqui? Já sabe porque talvez eu não consiga terminar a redação pra amanhã’!

Contudo, a que mais me deixava indignada era a tradicional 'meu cachorro comeu minha redação’. Ficava estupefata porque à época eu não tinha bichinho de estimação e achava inconcebível alguém tornar seu futuro estudantil refém de um capricho canino. Atualmente pago com a língua (será?) quando estou com quatro tiscos ciumentos que me disputam diariamente e fazem com que hoje o texto seja sobre este assunto.

Esta semana eu fiz um esboço tendo como tema 'lidando com um fora’. Inspirei-me em minhas aulas como acadêmica de Psicologia, realizei até um paralelo com o luto. Nossa, estava inspiradíssima fazendo um mergulho em meu passado pouco promissor no setor amoroso. Porém, vi pela casa pedacinhos de papel espalhados… papeizinhos brancos, que nem percebi que havia algo escrito.

Tenho um cachorrinho que deve ter sido parente do Homem Aranha, que adora escalar as coisas e era DEZ em fugas (era, pq coloquei telas em todo o apartamento). E este tem seus incríveis seguidores, aprendizes vorazes. O quesito picar coisas, até não se saber o que eram quando inteiras, é inato na mais velha e aperfeiçoado no cusco de menos de 5 quilos, também no recém chegado, dissimulado como ele só.

Pois é, pessoal, comeram meu texto. E agora estou aqui imaginando quem começou a executar o plano nefasto. Só vejo quatro pares de olhos que sabem que fizeram merda, entretanto, como sou mole, acabarei esmagando em beijos um por um.

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