Rosane Machado
16/04/2018 10h00

EU TENHO MEDO DA BELA GIL

EU TENHO MEDO DA BELA GIL

Há muito que tenho TV a cabo mas, mesmo assim, não desapeguei de programas da TV aberta. Netflix já faz parte do meu cardápio e penso se há um mercado negro de algumas séries em que me viciei. Eu que criticava quem o fazia... a língua não tem osso, bem feito pra mim.

E aí que vou zapeando na TV e com um olho no PC, dividindo-me entre prazos e coisas que tenho de ler e estudar... E numa destas zapeadas acabo me fixando no GNT, nos programas de culinária. Lembro sempre dos tutorias do youtube que ensinam a fazer um monte de coisas, contudo para pessoas mais evoluídas que eu, porque não consigo nem fazer aviãozinho de papel.

Nos programas de culinária pegam um ovo frito e constroem uma Torre Eiffel. Um biscoito se transforma em flor e o arroz nunca fica 'unidos venceremos'. Os jurados, quando é alguma competição gastronômica, surpreendem com um paladar que identifica até se o confeiteiro estava sem cuecas quando fez o tal Tiramissú. Acho-os similares àqueles somelliers que falam que tal vinho é frutado com notas cítricas e pontos amadeirados e o cacete a quatro. E os que experimentam perfumes e falam similaridades?

Realmente nasci só pra comer, beber e usar um ou outro perfuminho, porque desgraçadamente (ou afortunadamente) sou alérgica a perfumes franceses. Saudades do perfuminho com tampa de maçã que era vendido pela Avon e fazia a minha felicidade em alguma data festiva. Alguns viram modismo, sem falar dos que ficam bem numa pele e na outra mais parecem um xixi de gato (sem exageros).

Aboli a Coca Cola por pura promessa. Há coisas que quero alcançar há muito, e como acredito nisso, desculpe quem não acredita, pensei em deixar de bebê-la. A promessa tinha que ser bem custosa, porque o que almejado é muito difícil. Pensei em deixar de fazer sexo, entretanto a Coca Cola (não que seja mais prazerosa) é mais prática de ficar sem. Já faz um tempinho e não me bateu crise nenhuma de abstinência, mas guaraná e outros afins não são a mesma coisa acompanhando um xis ou pizza. Porém, se é pra alcançar a graça...simbora.

E dentre esses programas todos, surge a parenta do Gilberto comendo plantas, cascas, grãos e coisas da mesma família. Com uma cozinha (cenográfica, claro) dos deuses em que tudo funciona. Todavia o olhar dela me incomoda. Olhar parecido com os de umas selfies que visualizo (por falta de sorte) no face, parecendo com o de alguém que viu a luz da salvação.

Ela pega cascas e guarda pro minhocário, fala mal do meu sagrado leite de vaca e me abominaria se eu dissesse que cafezinho tem que ser forte e melado de açúcar branco. Sem falar do coco que ela cisma de acrescentar em tudo, até em um lindo doce de abóbora outro dia e acabou com toda a minha gula virtual. Jamais quero encontrá-la e ter de partilhar meus gostos estomacais. Jamais quero estar ao lado de alguém com apetite singular que vibra com sementinhas de chia...

Eu tenho medo da Bela Gil... e da Preta também, mas aí o quesito é auditivo mesmo.

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