Rosane Machado
12/02/2018 12h00

PREGUIÇA, A MÃE DO PROGRESSO

PREGUIÇA, A MÃE DO PROGRESSO

Dizem que passamos mais da metade da vida dormindo. E tendo preguiça? Ah, ninguém admite que já deixou muita coisa pra depois porque o sexto pecado capital tomou conta de suas entranhas.

Uma faxina, um trabalho da faculdade, um prazo processual que pode ser deixado pra depois, ir à academia... Quem nunca? Não confundamos com depressão, porque a preguiça é opcional.

Aquele desejo incomensurável de deitar na sexta à noite e levantar só no final do feriadão. Arrastar-se pela casa de pijama, sem escovar os dentes e nem ao menos tomar banho, porque não saiu, não transpirou... ainda bem que no banheiro há potes e mais potes de providenciais lenços umedecidos.

Desligar o celular, desconectar-se do mundo e só assistir a seriados, comendo todas as besteiras que não teve tédio em anotar antes de ir ao mercado. Isto quando não esquecemos a lista...

Há várias invenções que são prova de que a preguiça é uma bênção: telefone sem fio, controle remoto, escada rolante, notebook (carregar um pc de mesa pro banheiro seria muito trabalhoso. Vai dizer que você nunca sentou no trono com seu amigo no colo fuxicando a vida alheia?????)...

Até mesmo o avião é uma prova de que o homem com preguiça tem ideias geniais. Grandes distâncias em curto espaço de tempo. Mesmo que o ritual pra viagem seja cansativo ao cubo, economizamos horas, minutos, segundos e teremos mais tempo pra o sagrado pecado nosso de cada dia.

Contudo não falo da preguiça que prejudica, aquela que pode colocar em risco nosso emprego, saúde ou coisa que o valha. Falo da que faz com que não façamos nada, nada mesmo, e não sintamos culpa alguma. Pelo contrário. O desejo de sair postando na rede (porque o que não é postado não existe) que enquanto os outros bebem, vão à praia, vão a festas, esbaldam-se na festa de Momo, você está no ócio.

Bendita preguiça que nos socorre quando nada dá certo. Amada preguiça que nos dá a mão quando terminamos algo que nem devíamos ter começado.

Maravilhosa preguiça que criou as unhas postiças, os cílios falsos (mesmo eu não sabendo colocá-los), as comidas congeladas, as geladeiras, armários e compras pela internet.

A modernidade nos poupa tempo, poupa-nos de filas de bancos, de encontros indesejados, de gente desnecessária... e a doce e amiga preguiça vem dar seu ar da graça provando que tudo o que é divulgado é digno de pena, porque a rebordosa vem depois.

Prefiro dores musculares por não fazer nada do que ter feito um cross de qualquer coisa (postado fotos) e dizer que me acabei e anotei mais um dia de treino.

Prefiro treinar ficar na inércia, em minha cama, desligando do que não tenho vontade (momentânea) de fazer. Deixando a consciência no modo avião, claro... porque ela poderá vir com seu dedo acusador dizer que ainda falta fazer a leitura do gás do condomínio.

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