Rosane Machado
15/10/2017 19h51

Ah, bela infância

Ah, bela infância

Ultimamente ando sem saco pra muita coisa. Na real, eu nunca tive (sou mulher, apesar de me julgarem o tempo todo, coitados)! E meus valores mudaram radicalmente!

Hoje avalio mil vezes convites, saídas, festinhas. Às vezes é melhor ficar em casa com meus cachorros, lendo, estudando, vendo TV. Não me tornei uma pessoa antissocial, entretanto, não sou obrigada a nada e quem gosta de mim entende o meu ponto de vista.

Observo muito o meu cotidiano e as pessoas que cruzam comigo, e percebo que a cada dia que passa a futilidade impera mais e mais. Colocar uma melancia no pescoço, dizer que faz e acontece, "aparecer" parece ser a necessidade vital de muitos. Isto me causa uma preguiça extrema.

Tento compreender que a maturidade chega para alguns e jamais chegará para outros e concluo que tenho de ser mais tolerante. Afinal uma ida pra Marte não é viável e, caso o seja, terei de levar meus peludos e meus pais junto...porque de resto, existe facebook, ok?

A inversão de valores, os julgamentos: menino brinca com bola e usa azul. Menina tem de usar rosa e ser princesa... "Pelamor", deixem as crianças serem crianças. Fui criada com dois irmãos, jogávamos futebol dentro de casa (o que rendeu muitos vasos quebrados), e eles brincavam de boneca comigo (depois de eu atormentá-los, claro). A conclusão que chego é que tudo isso deixou marcas: tivemos uma infância feliz.

Lia muito, porque meus pais sempre incentivaram a leitura e desde cedo fui muito crítica com o que me rodeava. Não fui uma grande aluna, contudo sempre gostei de estudar, mesmo sofrendo bullying na escola (hoje eu sei). Todavia as sequelas foram poucas, creio que quase nada. Eu era muito gordinha e hoje??? Faz tempo que não subo na balança, nem sei qual é o meu peso (juro). Não deixo o chocolate e o refrigerante de lado... e????? Sou feliz.

Não virei vegana, vegetariana ainda...luta árdua, entretanto o melhor que fiz foi relacionar-me bem com o que como, porque comer obrigada, comer o que não se gosta objetivando um corpo ideal que nunca será o meu... JAMAIS!

Óbvio que eu não gosto de colocar uma roupa e sentir-me apertada. Pra me apertar nem meu namorado, gosto de tudo folgado, um número maior (até nos tênis). Mesmo que eu não ganhe a vida expondo o corpo.

Pois é, a vida vai fazendo com que nos tornemos pessoas mais seletivas e que consigamos herculeamente suportar o preconceito nas redes sociais. Suportar os que anunciam o Apocalipse.

Temos de ser tolerantes pra não sair da rede e assistir de camarote muita gente boa defecando pela boca, quer dizer, pelo teclado e se fazendo grande formadora de opinião.

Bem-vindos à divina comédia humana (que não é do Alighieri), contudo consegue ser bem mais que dantesca!

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