Rosane Machado
09/10/2017 11h00

Respeito ao próximo

Respeito ao próximo

Educação é coisa que se traz de casa, certo? Mas imaginemos um país que na época do Império as pessoas escarravam na rua? Imaginemos uma cidade que foi capital do Brasil, onde se esgotavam os penicos servidos da noite pelas janelas?Criou-se uma lei para que os cidadãos não fossem premiados com sólidos e líquidos em suas cabeças desavisadas. Ao se esgotarem pelas janelas, o autor era obrigado a gritar: 'água vai'. E os passantes desviavam e se safavam de prêmios 'cheirosos e molhados'.

Talheres foram inventados por Da Vinci, entretanto aqui no Brasil, comia-se com as mãos e limpava-se na roupa mesmo. As pessoas abastadas limpavam seus dedos na carapinha dos escravos. E em banquetes da aristocracia, havia coelhos branquinhos e fofinhos amarradinhos aos pés das mesas. Os nobres higienizavam seus dedos engordurados em suas pelúcias e o cargo mais disputado era justamente o de 'trocador de coelhos'.

Pois é, temos a tradição da porquice. A falta de higiene parece ser inerente ao brasileiro. Mesmo que digam que os melhores perfumes foram criados pelos europeus que eram avessos ao banho. Afinal, lá na Europa o frio é de 'renguear cusco' e antigamente a água era artigo de luxo.

Infelizmente convivemos com a realidade da falta de asseio. Quem toma banho antes de sair de casa? E o inverno? Quem se aventura? E as moças chegadas às químicas alisadoras? Estas lavam suas cabeleiras raramente, afinal o produto tem de fixar o liso ambicionado. Só que os narizes alheios padecem com o cheiro nada agradável que suas madeixas emanam.

Usar banheiro público é desafiar seu estômago, porque parece que a coisa pública, por ser pública, não merece ser cuidada. Quantas pessoas já vi 'limparem seus narizes' em plena rua e depois passarem os dedos melados em paredes e afins...

Quando esfria, há pessoas que questionam se tomam ou não banho já que não suam, ué? Só que o cheiro de corpo disfarçado por um perfuminho ganha um odor pra lá de nauseabundo.

Imaginem então quando alguém solicita usar banheiro de consultório, escritório... Claro que há pessoas que podem estar com sérios problemas intestinais, todavia conseguem proezas, como, por exemplo, decorarem até as paredes com seus dejetos provenientes de um 'furico' com motor de propulsão. Criaturas que a NASA adoraria contratar certamente.

Vemos orelhões destruídos, paredes pichadas, bancos de praça aos pedaços...Que mania feia de achar que já que é da rua não merece respeito, cuidado, asseio.

Não posso deixar de falar dos ônibus. Estes têm suas poltronas rasgadas, escritas, perfuradas... e se alguém reclamar, reclame pro seu vizinho ao lado que pode estar no exato momento fazendo limpeza em seu 'salão' e depositando a obra embaixo da poltrona.

Chiclete jogado nas ruas? Creio que empatam bonito com as bitucas de cigarro dos fumantes porcalhões. E a triste mania de urinarem em paredes, em cantinhos de praças? Claro que há locais que nem um banheiro químico possuem, e a necessidade não avisa, porque pode vir por acidente.

E agora a nostalgia me tomou. Lembrei das pichações em banheiros. Lembrei das que eu lia na faculdade quando me aventurava no sanitário. Uma ficou marcada, gravada até hoje em minh'alma (contração pra lá de poética): 'se puta fosse flor, esta faculdade seria um jardim.' Recordo-me de ter me sentido excluída. Vítima de bullying em pleno reservado.

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