Rosane Machado
29/05/2017 10h39

007 Também morre

007 Também morre

Quando morre alguém, mesmo que não seja próximo de nós, damo-nos conta de como tudo é finito. Vemos no face alguém que perdeu seu pai, sua mãe, seu tio, irmão, avô... Lamentamos, porque surge uma certa inquietação dentro da gente.

Planejamos as coisas, parcelamos as dívidas, negociamos o IPTU, o ISS a perder de vista crendo em uma espécie de 'pseudo-mortalidade', crendo que estaremos aqui nos próximos meses.

Planejamos o final de semana, o Carnaval de Inverno, os Espegatos da vida e nem questionamos se chegaremos até lá.

Malhamos desesperadamente ambicionando um verão 2018 de fazer inveja à Globeleza e ainda nem sabemos se chegaremos a novembro.

Não quero fazer um texto trágico. Não quero deixar ninguém deprimido. Quero é com vocês pensar que a única certeza é o agora. Que não podemos deixar coisas para depois. Roupas guardadas pra uma data X. Aqueles pratos lindos empoeirando no armário. A roupa de cama nova apenas pros hóspedes...

Aproveitemos o momento. Evitemos guardar ressentimentos, porque eles só servem pra dar celulite e dor de estômago.

Digamos mais 'eu te amo', 'você é importante pra mim', 'posso te ajudar em alguma coisa?' e, acima de tudo, cumpramos com o que prometemos.

Deixemos lembranças boas, saudades sinceras, uma passagem digna pela terra, mas não esqueçamos de deixar a senha do facebook pra uma amiga de confiança deletá-lo e evitemos ter de ver da eternidade mensagens de pessoas falsas sobre nosso passamento. Não sejamos bobos alegres, Polianas fora de época. Sejamos autênticos, inteiros.

Temos que valorizar quem está próximo e sermos próximos antes que seja tarde. Aceitemos que as pessoas envelhecem e se tornam meio chatinhas pela idade, porque também não somos mais flores de convivência. Entretanto, não deixemos de estar com elas, porque daqui a pouco irão... E o que vai restar? Talvez remorso... ou culpa. E certamente não é apenas elas que precisam de nós, porque muitas são nosso referencial na vida. Estamos aqui porque elas nos quiseram. Ou abriram mão de muito pra nos criar, educar, amar...

Vivamos na nossa plenitude da melhor forma que consigamos. Sem economias, sem receios.

Acreditemos que não estamos aqui a passeio e o que o tempo pode ser curto.

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