Rosane Machado
06/02/2017 11h48

A ignorância é uma bênção?

Pois bem, talvez não saber de certas coisas seja bom pra gente. Quando não sabemos de algo que afeta alguém, de injustiças, de problemas, passamos pela vida de modo mais leve. Mas viver por si só é comprometer-se

A ignorância é uma bênção?

A globalização faz com que saibamos que lá na África existem pessoas que passam fome. Há crianças que não têm ideia do que seja uma infância dita normal. Animais que estão sendo extintos em outra parte do planeta. Pessoas que morrem de fome...Intolerância religiosa...

Em um clique temos tanta coisa ao nosso alcance e aí temos que tomar partido. Temos que nos posicionar porque incomoda ficar na inércia. Incomoda não fazer nada, apenas dar uma curtida ou um compartilhamento (que às vezes é pra lá de útil).

Saber que um senhor da cidade que cuida há anos de cachorros está sofrendo, que não tem apoio e credibilidade de alguns órgãos públicos, incomoda demais. Ter conhecimento de sua condição de solidão e insegurança porque seus bichinhos são envenenados e ele só quer lhes dar um lar... incomoda.

Incomoda saber que há uma lei, mas que são 'apenas cachorros' e a pessoa que os abriga é pobre e idosa. A pessoa que se preocupa é tida por louca só porque busca no lixo alguma coisa que preste. Quando, na verdade, sabemos que estudos comprovam que o lixo do brasileiro é rico em desperdício.

Incomoda saber que há muita maldade no mundo. Que agora mesmo podem estar ceifando uma vida de uma criança, de uma mulher, de um idoso, de um homossexual, de um cachorrinho...

Aí a gente sabe, compromete-se e não tem mais paz. Não consegue mais colocar a cabeça no travesseiro sem pensar na pessoa, sem pensar em sua situação e desejar que tudo fique bem... mas como?

Ainda bem que há pessoas que se importam e fazem com que eu não me sinta só quando busco ajuda pra alguém. Há pessoas que sentem como eu... mas eu queria conseguir ser mais prática e não me envolver tanto.

Certa vez um amigo falou-me que ele ajudava muito quando precisavam, mas que ele não se envolvia. Como? Agora vou deitar pensando nos protetores independentes (ou não), que talvez não durmam porque têm de alimentar boquinhas famintas e não têm mais por onde. Entretanto assumiram-nas porque têm sentimentos. Às vezes a ignorância pode ser uma dádiva, uma benesse...

Contudo, que graça teria a vida sem isso tudo? Que graça teria se a gente não fizesse nada, não se importasse e não ouvisse o coração?

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