Rosane Machado
18/07/2016 15h39

VAZIO

VAZIO

Diante da tela do note com o cursor piscando, penso na minha obrigação de escrever toda a semana a minha coluna. Não falo em 'obrigação' como algo negativo, porque é algo que me dá prazer. Só que hoje está diferente. O cursor pisca inquisidoramente, quase que pronunciando as palavras do facebook, perguntando em que estou pensando. Em que estou pensando? Estou pensando em tanta coisa e, que ao mesmo tempo parece que não penso em nada. Meio sem foco...tudo difuso, preocupante e disperso.

Penso na cena de atores na tal minissérie, na cena de amor protagonizada por eles. Tão criticada, tão execrada...enquanto que na novela de horário nobre, a moça casada faz amor com o moço que também é casado, mas não com ela...e ninguém diz nada. Hipocrisia.

Penso nos vídeos que pessoas compartilham na rede social, que mostram violência contra idosos, animais...criticam e veiculam. Tenho vontade de excluir a todos que acham que desse modo estão fazendo algum bem.

Penso nas fotos dos cachorrinhos abandonados nas feiras de adoção. Nos que esperam por alguém e vão ficando maiores, mais velhos...e com um mínimo de possibilidade de um lar. Lembro da moça na pet, que quando indaguei se levavam um cachorro adotado ou comprado, viu meu incômodo e me disse que aquele comprado estava ficando 'velhinho' e provavelmente ninguém iria querê-lo. Olhei pro bichinho com um misto de ternura, preocupação e tristeza. Lá ia ele nos braços da nova tutora, pra um lar que eu torço que seja um verdadeiro lar pra ele. Não consegui ficar totalmente feliz...não sei bem o porquê.

Pensei nas crianças que igualmente em algum lugar esperam pra serem adotadas. Qual filhotes têm o coração agitado na iminência de alguém as querê-las... e esse alguém nunca vem. E quando vem, prefere os mais novinhos, branquinhos, perfeitinhos. Não que estes não tenham direito à felicidade, mas serão os sempre escolhidos.

Lembro dos cachorrinhos do INSS, que são de todo mundo e não são de ninguém. Que preocupam a mim e a mais umas duas meninas. Que vivem à frente de um estacionamento porque o dono foi bom...mas mais que dois ou três não pode, porque nem todos se preocupam com eles. Penso nos meus que conseguiram um lar, a primeira por escolha mesmo e o segundo por acaso. Talvez os dois tenham me escolhido e eu achei que tive meu livre arbítrio exercitado. Tinha alguém orquestrando o encontro (ou reencontro).

Lembro das contas que nunca estão em dia. Do feijão e do leite tão necessários que hoje são sinônimo de ostentação. Ostentação daqui a pouco será poder comer. Afronta será postar fotos de comida...
Penso no campeonato de pole dance no qual me atrevi a me inscrever...por mais que treine, acho que nunca ficará como em meus pensamentos...A teoria sempre indo além da prática. Em sonho o 'espacato' perfeito, mas na realidade, uma perna meio tímida num ângulo não tão jeitoso.

O negócio é preencher o vazio com um pouco de vinho tinto meio seco e torcer pra que aqui dentro algo transborde...e que não seja a saudade.

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