Rosane Machado
10/02/2016 21h10

CARNAVAL

CARNAVAL

A válvula de escape de muitos, talvez de toda uma população. Porque quem não gosta, curte o feriado, depois de ter passado no mercado e abastecido a dispensa com tudo o que possa se imaginar em termos de calorias!

Já pulei o Carnaval por uns oito anos 'para acompanhar o marido' lá nos meus tempos de moradora do Rio de Janeiro. Conheci todo o tipo de bloco de rua e até desfilei na Beija Flor. Mas não sinto falta de nenhuma das passagens vividas (e sobrevividas). Muitas vezes nos violentamos pra fazermos as vontades dos outros esperando algo em troca...e é aí que reside todo o erro dos relacionamentos fadados ao fim.

Lembro que tinha bloco todo dia e festas toda noite. Culminamos no desfile na Apoteose, sem antes não faltarmos ao Terreirão do Samba. E só recordo que o resplendor em minha cabeça perfurava meu cérebro e acabava com o mínimo de bom humor que eu havia forjado pra mais uma jornada de ser a 'acompanhante perfeita'!

E acessando as redes sociais vejo pessoas que são o mimimi encarnado, felizes! Em fotos, selfies, em grupos com copos de bebida na mão e 'arrebentando de alegria-alegria'! Fazendo com que as noites e dias de entrudo  sejam maratonas intermináveis e devidamente documentadas pra que todo mundo veja que são felizes...pelo menos no carnaval, às sextas...e assim vai.

Sinceramente desejo que consigam acumular um humor mais leve e sustentá-lo durante o resto do ano. Porque quando se vive por obrigação, em função de um trabalho que não nos acrescenta...é triste demais!

Não digo que não assista ao carnaval...mas na TV. Com meu banheiro limpo e privado próximo...dormindo até tarde...acordando no horário que bem entendo... E  por segurança (e preservação  neuronal) trocando de canal quando surge uma 'musiquinha' do momento.

E há quem goste realmente da folia porque quer 'foliar' e só. Quer em alguns dias ser rei, rainha, palhaço, Colombina...e lembro dos carnavais do passado em que eu era 'obrigada' a ir ao clube que frequentávamos e me fazer de social.

Chegava lá, vestida de qualquer coisa com um colar de havaiana no pescoço e ficava andando em círculos num salão repleto de gente suada, de desodorante vencido e, em sua maioria, sem noção alguma de ritmo, humor e bom senso. Porque chega uma hora que o teor alcoólico faz com que a criatura recorde do saldo bancário negativo, do trabalho que abomina, da união que odeia e que ainda não beijou ninguém.

Vejam só, fui 'obrigada' a embarcar na onda pra ser feliz como os outros. Ser feliz numa festa de carnaval. Que foi evoluindo de bailinhos à tarde pra grandes festas à noite...E as primeiras decepções amorosas, e os amores sofríveis nas festas de Momo que não duravam nem até o finalzinho da terça 'gorda'! E todo mundo seguindo e se divertindo...

Mas peraí, minha mãe sempre teve razão: eu não sou todo mundo.

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