Rosane Machado
08/12/2015 10h02

ADOTEI

ADOTEI

Nunca tive bichinhos de estimação. Não, tive sim, um: um caruncho de arroz.

Eu morava em apartamento e tinha uns seis anos de idade. Recordo como se fosse hoje. São as benesses da velhice: não lembro o que almocei ontem (pensaram agora também, não?), a cor de minha calcinha (outro rápido lampejo, certo?), mas lembro do caruncho.

Minha mãe sempre teve mania de limpeza, tapetes, cortinas e afins, mas com o passar dos anos foi se tornando esperta e eu, alérgica. Aí tudo foi diminuindo... e ficamos sem tapetes (amém, festa de mil dias)! Mesmo assim, animais domésticos eram proibidos.

E aí que um dia eu ganhei uns passarinhos. Eram uns tais ‘gaturamos’...comiam uma banana e defecavam um cacho. Não eram bichinhos de cativeiro e não resisti: soltei-os no Jardim Botânico de P. Alegre.  Jurando que nunca mais teria outros. Jura que não durou... Fui presenteada com um casal de canários e, quando fomos para o Rio de Janeiro, eles foram juntos. E lá ganhei mais outro... Só que os bichinhos, como nós, envelhecem e acabam morrendo... e a cada falecimento, mil litros de lágrimas...e mais juras de não se ter mais animais em casa. Quer dizer, só os conhecidos e parentes.

Só que mais uma vez, as juras foram por água abaixo... O desejo de ter um cachorrinho começou a ganhar força. E o facebook (e amigos) só colaboraram com isso. A proliferação de vídeos fofos, gracinhas, bichinhos de roupinha, bichinhos que demonstram um amor incondicional por seus donos... Como a companhia deles nos faz bem... quantos não têm lar e precisam de carinho... Capitulei. Em uma manhã de sábado, acompanhada de meus pais e uma amiga ‘cachorreira’, fomos até uma feirinha de adoção.

Chegando lá, vi uma bolinha de pelo preto abandonadinha, de macacãozinho (estava se recuperando da castração)...não resisti. Peguei no colo, e a danadinha da criaturinha percebeu. Aconchegou-se em meu peito, cheirou-me, deu-me uma bela linguada no queixo... e apaixonei.

Trouxemos para casa, depois das medidas de comprometimento, registros, taxa simbólica pra ajudar na manutenção dos outros que continuam sem uma casinha... Já morri numa grana em uma loja de produtos para pets...e morrerei com mais outra quantia pra tirar os pontos, vacinar...

O episódio ‘merda pra todo lado’ já aconteceu, afinal, a criaturinha come mais que uma traça, e eu achei que podia deixar o potinho cheio e não me preocupar com o seu apetite tão cedo... ledo engano. Quanto mais ração, mais ela come...e o estrago está por todos os lados. O xixi está sendo estratégica e educadamente depositado no devido lugar. O número 2 tem sido meio confuso, mas chegaremos lá.

Porém, a felicidade com que fui recebida pela manhã, ao ir ver como estava esta bolinha de pelos... é indescritível.

Quando aquele par de olhinhos pretos olha pra gente e o rabinho abana, dane-se tudo! Danem-se as contas, danem-se as raízes por fazer... Esse serzinho não se importa se você está bem vestida, penteada ou não... ele simplesmente parece nos amar e ter-nos escolhido. Sim, porque dizem que não é a gente que os escolhe...

E agora, apaixonei-me por uma coisinha pequena ainda, desengonçada, de quatro patinhas e olhinhos mais negros que o cabelo da Iracema... E quiçá mude de ramo, e passe a fornecer material para adubo para a cidade e região...

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