Xixo Murara
06/04/2018 16h39

A ESPERANÇA ESTÁ MORTA.

Alvejada, no coração, pela corrupção.

A ESPERANÇA ESTÁ MORTA.

Não se engane. Hoje é um dia para ser esquecido. Comemorado? Talvez, mas só saberemos em algumas semanas, ou meses.

Mas definitivamente, no dia de hoje, a esperança jaz estendida no chão. Morta! Assassinada pela ganância; atingida, em seu órgão vital, pelo tiro fatal do fuzil dos desvios de propósitos.

Mas isso não começou no dia 24 de janeiro. Tão pouco em 2016, ou quando a Lava Jato começou.

Foi bem antes. 2002. Na Carta ao Povo Brasileiro onde houve o primeiro rompimento com princípios que eram o combustível de quem alimentava a esperança, diante do medo.

Hoje, tese de estudos acadêmicos, sabe-se que aquele documento marcou o início de uma caminhada que levaria à derrota e (desde ontem) à prisão de um dos maiores líderes políticos modernos, no Brasil e à derrocada da esperança. Aquela carta municiou a arma que, hoje, assassinou a esperança de toda uma geração (talvez, de uma Nação). Ela foi o princípio de tudo e em seu rastro vieram as composições, as alianças e o malfadado Presidencialismo de Coalisão.

Se Fernando Henrique e o PSDB (que hoje é um partido em decadência) foram responsáveis por criar dois instrumentos que ajudaram a construir a mutação da corrupção moderna (a figura da Reeleição e as malditas Emendas Parlamentares), Lula e o PT deixaram o legado, nefasto, do Presidencialismo de Coalisão.

Todos esses elementos surgiram ao longo da história recente do Brasil, digamos assim, em alguns destes casos, sem alarde, ou mesmo sem provocar objeções incisivas. Mas a soma de todos eles conseguiu alimentar a ganância, a ambição desmedida e, por fim, ajudou a encher malas e caixas de dinheiro que, sabe se lá em quantos apartamentos espalhados pelo país, podem estar guardados (ou melhor, escondidos).

Com esforço para crer na dignidade do ser humano, poderíamos dizer que nada foi, francamente, premeditado. Mas uma coisa pode ter levado a outra e, como me disse um conhecido, certa vez, experimentou-se o “contraditório”. O dinheiro entrou uma primeira vez. Ah, será só desta vez! E mais outra, mais outra, mais outra... E quando se percebeu foi à bancarrota a dita dignidade que se desejava presumir.

E chegamos aqui. Passamos por mensalão, petróleo, Pasadena, cartéis de empreiteiras, delações, condenações (1ª instância, 2ª instância), embargos, HCs e por último a uma ordem de prisão. Saímos disso feridos. Machucados e arranhados em nossa dignidade de cidadãos e cidadãs.

Nesse transcurso ficamos mais ricos, voltamos a ser mais pobres, de novo, mas o que causa maior abalo é que estamos órfãos da esperança. A mesma esperança que um dia pode ter feito sonhadores gritarem “nós vencemos” e que agora tornar-se irreconhecível. Porque como todo cadáver, ela vai decompor-se rapidamente.

Mas, então, o que poderia haver para se comemorar, como se disse no início?

Se isso tudo servir para que as punições continuem; as condenações aumentem e se mais dignidades aniquiladas pela ganância acabarem atrás das grades, aí sim, teremos um alento para o assassinato da esperança. Do contrário terá sido, somente, mais um golpe - na extinta esperança.

Porque se só isso tiver bastado para considerar a tarefa concluída, estaremos sendo vencidos pelas verdadeiras forças destruidoras e assassinas da esperança do povo; Os maiores causadores da opressão dos mais humildes. Aqueles que financiam o jogo sujo.

Se pararmos por aqui, logo, logo, amanhã mesmo, outros serão aliciados e começaremos tudo de novo. Que Deus abençoe o Brasil.

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