Quincas Avelino
18/03/2019 15h54

O apocalipse motorizado e as Arrancadas de Caminhão

Coluna Quincas, 18/03/2019

A leitura que proponho nesse espaço é de reflexão e, hoje de desconforto. Desconforto pela necessidade de ser crítico enquanto reproduzimos as coisas sem parar para pensar no redor.

Trago uma sugestão de leitura referente à organização das cidades, aos transportes, movimentos e mobilidade. Dessa nossa necessidade de ser e querer ser rápido. De se entregar aos movimentos rápidos e não pensar na consequência desses atos.

A 29ª Arrancada de Caminhões do Arroio do Silva foi uma tragédia. A cidade vizinha tem o maior prazer de anunciar a tradição dessa corrida. Algo sem sentido. Em um acidente envolvendo uma pessoa (por sorte o veículo não entrou na multidão) o evento perde o suposto “brilho”. Em um programa de rádio na semana passada anunciaram a “Barretos do Extremo Sul Catarinense”.

Em vários vídeos da edição, desse ano, compartilhados pelo WhatsApp tem-se o registro do momento do capotagem do caminhão e das consequências para o piloto.

Trago o Apocalipse Motorizado para refletir o imaginário que construímos desses veículos que cospem fumaças negras no ar, na praia; Olhe para a estrutura desse evento e perceba o quão errada ela é. A começar pelo local e o incentivo de que isso acarreta na areia da praia ao longo do ano. Pessoas querendo romper a barreira do som nas areais da praia até a Barra do Araranguá.

Por que temos que endeusar a velocidade? Mitificar as pessoas que aceleram cada vez mais?

Em 2014, no mesmo evento, uma pessoa perdeu a vida, mas todos os anos a história do risco se repete e sábado outro acidente.

O Apocalipse Motorizado livro organizado por Ned Ludd traz essas questões sobre a mobilidade, sobre a pressa e sobre a nossa dependência em relação ao uso de veículos (por combustão). A quantidade de mortes gerada no trânsito e falta de noção de nós brasileiros e, em outras partes do mundo. A cidade, esse rico espaço para o aprendizado, para as trocas e a percepção de um mundo rígido e desigual e não as 1,35 milhão de mortes registradas no trânsito em 2018, divulgada pela OMS.



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