Que a adolescência pode ser uma fase complicada para muita gente não é novidade. É um período de descobertas, questionamentos e escolhas, em que nem todo mundo consegue lidar muito bem. Muitas vezes, o que parece ser apenas um drama adolescente, esconde uma série de transtornos. Entre eles a depressão e a ansiedade, que até pouco tempo atrás eram consideradas coisa de gente grande.

Os dados levantados nos últimos anos sobre depressão e ansiedade na adolescência são assustadores. Para se ter uma ideia, segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde, um em cada cinco adolescentes enfrenta algum tipo de transtorno na saúde mental. A organização também estima que metade de todas as doenças mentais começam a se manifestar aos 14 anos. E a situação fica ainda mais grave, pois a maioria dos casos entre adolescentes não é diagnosticado nem tratado.

De acordo com a OMS, a depressão é uma das principais causas de adoecimento e deficiência entre os jovens. O suicídio é a segunda maior causa de morte entre indivíduos de 15 a 29 anos de idade. E trazer este tema ao debate não é uma tarefa simples.

Eder Viera, professor há nove anos, notou a necessidade de levantar estas e outras questões na sala de aula. Um dos idealizadores do projeto Potencialize, ele promove o debate sobre a ansiedade, depressão e bullying nas escolas. E conta como foi a trajetória até conseguir alcançar estes jovens. “Sou professor de geografia há quase 10 anos e tudo começou no ano passado. Eu estava incomodado com minha situação inerte perante aos problemas que meus alunos geralmente apresentavam, afinal, parar o conteúdo para falar sobre problemas do dia a dia era complicado. Fui convidado para dar algumas palavras e isso ativou algo em mim e ao compartilhar com alguns amigos, vi neles essa mesma vontade”.

O propósito do grupo de amigos de trazer luz ao tema, tem mostrado bons resultados. Através da troca de experiências, o projeto já passou por várias escolas do município e a procura tem aumentado. “Montamos um projeto inicial e lançamos o convite pela internet. Aguardamos e as escolas começaram a nos responder, e assim tem sido. Não gosto de chamar nossas visitas de palestras, é mais um bate-papo, onde contamos a nossa experiência, em como vencemos a ansiedade, depressão e o bullying”, finaliza.

O trabalho do projeto pode ser acompanhado pelo instragram @potencialize.oficial e a visita pode ser solicitada pelo telefone (48) 9 9901 5059

Bullying

No ambiente escolar é onde ocorre a maioria dos episódios de bullying. Especialistas e pessoas em tratamento destacam a necessidade de debater o assunto e de lidar com a influência do bullying sobre a depressão. E os números desta prática crescem a cada ano. Segundo dados do IBGE, o aumento de casos de bullying vem sendo gradativo, em 2012, 35% dos estudantes afirmaram ter sofrido algum tipo de bullying, em 2016 o número subiu para 47%. 

Em Araranguá o assunto foi debatido na Câmara de Vereadores recentemente. O vereador Jair Anastácio apresentou um Projeto de Lei que institui políticas de combate à intimidação sistemática do Bullying e dá outras providências. “O objetivo é fazer com que o município invista em ações, em programas, fazendo com o que a Educação e outros órgão públicos discutam este tema. Visando o sentido de combater essa prática, que gera danos psicológicos e físicos às crianças e aos jovens”, destaca.

O projeto foi aprovado e estabelece que sejam instituídas em Araranguá uma série de ações que combatam o problema, que, atualmente já é de saúde pública. “Nosso propósito é que o município sancione este projeto e sejam implementadas companhas de educação, informação visando o respeito mútuo, até mesmo com o envolvimento da família no processo de construção da cultura da paz “, afirmou Jair Anastácio.