No fim da rua, em uma casinha azul, com roupas tomando sol na janela. Lá estava Antônia Pereira de 36 anos, esperando por um milagre. Sem ter o que comer, ela pede ajuda a vizinha, que procura um veículo de comunicação local e encaminha a mensagem: “ela tem quatro filhos, não consegue um emprego e eles não tem o que comer, ajudem ela”.

Diariamente, a reportagem do Grupo W3 recebe muitas sugestões de pauta, mas estas, que pedem ‘socorro’, são atendidas com certa urgência, por isso, fomos até lá.

Ouvindo as palmas em frente ao portão, Antônia vem secando as mãos com um pano de prato, pois tinha acabado de lavar a louça. Ao menos aquele dia ela tinha com o que as sujar. A mulher tímida, com um sorriso sem jeito olha para as câmeras e vai em direção aos quartos “vou buscar meus dentes”, diz ela se referindo a dentadura.

Antônia é mãe de nove filhos. Dois morreram, quatro moram com ela e o outros três saíram de casa porque casaram. O mais velho dos que estão com ela, tem 15 anos e o mais novo apenas quatro. A única renda da família vem do programa federal Bolsa Família, que garante a eles R$ 300 por mês. Mãe solteira, conta que teve os filhos de dois maridos diferentes, mas que nenhum deles pagam pensão aos filhos.

Única cama da casa, nela dormem Antônia e os quatro filhos

Em Araranguá, onde eles residem, há 838 famílias beneficiárias do programa e a de Antônia é uma delas. Essas famílias equivalem, aproximadamente a 3,58% da população total do município, e inclui 76 famílias que, sem o programa, estariam em condição de extrema pobreza. No mês de abril de 2019 foram transferidos R$ 113.178,00 às famílias do Programa e o benefício médio repassado foi de R$ 135,06 por família.

Com o aluguel vencido há dois meses e com duas faturas de energia atrasadas, Antônia não sabe até quando poderá morar ali e nem quando cortarão a luz. “O aluguel aqui é R$ 350, e tenho que pagar a luz. Com o dinheiro que eu ganho, eu coloco comida para dentro de casa. Se eu pagar o aluguel, eu ainda vou ficar devendo e não vou ter o que dar aos meus filhos”.

Diagnosticada com depressão e síndrome do pânico, ela toma remédios controlados e não pode ficar sozinha. Segundo Antônia, ninguém a emprega por conta da doença. “Não consigo pegar emprego em lugar nenhum. Não posso dizer que sou doente, ninguém vai me dar serviço. Quando descobrem o que tenho, pagam mal. Eles acham que a gente não tem capacidade, mas eu já estou bem melhor”.

Em seu emprego anterior, trabalhava de costureira em casa. Havia ganhado duas máquinas de costura e produzia estopa. Após uma desavença, Antônia conta que a mulher que doou as maquinas acabou tomando elas de volta. Antes disso, trabalhava como faxineira, chegou a ter carteira assinada, mas foi demitida. “Eu posso fazer faxina, consigo fazer e tenho experiência. Mas meu maior sonho mesmo, é ter minhas duas máquinas de costura de volta. Eu tinha uma Overloque e uma “reta” muito boas. Eu estava crescendo fazendo isso e agora eu nem sei se algum dia vou ter dinheiro para comprar uma daquelas”.

Mas Antônia volta para a realidade e deixa o sonho para trás quando é perguntada sobre o que terá na janta. “Eu não sei, o que vai ter?”, pergunta ela olhando em direção a porta, onde a vizinha – a mesma que procurou a nossa reportagem - estava encostada, acompanhando a entrevista. “Tem arroz e feijão”. Insistismos na pergunta, “o que terá para o almoço?”. Calada, ela aponta um bocado de arroz em cima do fogão.

Antônia conta que nos últimos três meses, tem recebido ajuda dos outros. Diversas famílias que moram em sua rua estão em situação de vulnerabilidade, e que a troca de comida é comum.

“Vivo da ajuda dela – aponta para vizinha mais uma vez. Se abrir minha a geladeira, não vão encontrar nada. O armário também está vazio, é melhor até deixar fechado. Não tenho comida, fralda para o meu filho e muito menos produto de limpeza".

Antônia atualmente espera que alguém a ajude. Seja com comida, roupas e produtos de limpeza ou, melhor ainda, oferecendo um emprego a ela. Quem quiser colaborar pode entrar em contato com a vizinha de Antônia, Jéssica, pelo telefone 48 99838.7594