Fazer moda necessita de muita criatividade, pesquisa e inovação, para a cada estação, surpreender novamente os consumidores. Todo este trabalho árduo para levar glamour às vitrines, muitas vezes não é assimilado pelo público. Por isso, a segunda matéria da série "Bastidores da Moda", vai mostrar os segredos de produção da Gata Ousada, marca de roupas plus size do Center Shopping Araranguá.

A reportagem foi recebida pela proprietária da Gata Ousada, Maria Ilizete Pacheco Cristiano, que tem no nome, e na essência, o adjetivo ousada. Afinal, com pouco mais de nove anos de fundação como plus size, a empresa não demorou para ousar no mercado, ao colocar produção própria, que é apontada pela gerente geral da empresa, Angelita Farias Cristiano, como um diferencial.

"Hoje temos uma clientela formada, e sabemos exatamente o que elas querem. E ter o processo de criação em nossas mãos, nós dá mais chances de acertar na coleção e de agradar o nosso público", completou Lita, como é conhecida.

Com muita simpatia e entusiasmo, Lita abriu as portas da fábrica à reportagem. Localizada no bairro Lagoão, em Araranguá/SC, a fábrica é dividida em dois pavilhões, que juntos, possuem aproximadamente 400 m². Nele, a Gata Ousada realiza todo o processo de criação das peças. "Após o modelo estar aprovado, ele segue para as costureiras", revelou.

Conheça, a seguir, o processo de produção de uma das marcas plus size que mais se destaca em Araranguá, e região.

Pesquisa

Neste inverno, a Gata Ousada trouxe às vitrines a coleção "Segredos”. Ao todo, foram criadas 400 referências para a coleção e a previsão é de chegar a 60 mil peças produzidas até o fim da estação. "A cada seis meses, a produção começa do zero. É como se iniciasse uma empresa novamente", comentou Lita.

A fábrica é responsável por abastecer as lojas do atacado e do varejo. Lita divide o desenvolvimento criativo com a estilista Jussana Matos, que explica como funciona o processo de criação.

"Fazemos o trabalho de pesquisa por meio das redes sociais. Seguimos indústrias, marcas e estilistas de fora, que viajam e buscam as tendências da estação. Também conseguimos informação com as empresas de tecido, que fazem essa pesquisa de campo de padronagem, estampa, cores etc", revelou a estilista.

Para este inverno, o vermelho é a aposta como cor e o xadrez é o queridinho entre as estampas. Sobre as tendências, a estilista ressaltou que a moda se recicla. "Antigamente mudava muito de uma estação para outra, mas hoje a moda vai acompanhando, tendo novidades mais pontuais. Neste inverno, por exemplo, é uma continuidade do inverno passado. Mudam as estampas, padronagens, malhas, mas muitas tendências continuam, como os jacquards, os moletinhos carecas e as ciganinhas", completou.

Processo

Produzir roupas para o universo plus size exige uma dedicação a mais por parte da empresa. Por ser mais abrangente, a moda all curves possui alguns segredos, que a Gata Ousada fez questão de revelar na última coleção. "É um segmento que se destaca, ele vem crescendo muito. Hoje, nossas plus não usam qualquer roupa. Você tem que ter o seu segmento bem formado, a sua coleção bem determinada. Até mesmo o que vai ser o nosso básico, precisa estar bem definido", destacou Lita.

Da tela do computador, a estilista Jussana desenha, com o auxilio de Lita, uma nova peça. Do imaginário, a peça, que irá virar referência na coleção, ganha contornos no plotter. Com a tesoura, a piloteira começa a dar vida à peça, que após passar pelo corte e prova, ganha a autorização para ser produzida na facção.

Após ser produzida pelas costureiras, a peça passa por acabamento, embalamento e despache, que é quando o produto chega às prateleiras da loja. Todo este processo envolve da Gata Ousada um quadro de 20 funcionários, mais 40 costureiras terceirizadas, além de 15 vendedoras, distribuídas nas lojas do atacado e varejo.

Planejamento

Colocar uma coleção na rua, como diz Lita, é um desafio e tanto. E para uma marca que vende do P ao 4G, planejamento é essencial para obter sucesso nas vendas. E planejamento é algo levado à risca na Gata Ousada. Para chegar a um nível de fabricação, que permite ter uma boa margem de acerto, a marca teve que arriscar muito. “Foram anos de erros e acertos, para obter os dados necessários para lançar uma campanha”, ressaltou Lita.

Com dados de consumo do público-alvo em mãos, a empresa direciona a produção, com a certeza de que existem vários desafios em confeccionar o all curves, mas com a confiança de que com muito empenho se consegue vencer todos eles, para entregar ao mercado produtos diferenciados.

Fonte: Felipe Balthazar - Multi Comunicação