Para se tornar realidade, uma boa ideia precisa de apoio e investimento. Sem essas ferramentas, por melhor que seja, pode nunca sair do papel - e se perder no tempo. Para que uma ideia floresça, é necessário que seja regada com apoio, conhecimentos técnicos e investimentos. E para que uma cidade floresça em suas vocações, é preciso que forças se unam em prol de algo que pode mudar a vida de pessoas, instituições e de toda uma cidade.

É exatamente assim que deve ser a implantação do projeto desenvolvimento da inovação e tecnologia em Araranguá. Há algumas semanas, o projeto foi colocado pelo prefeito Mariano Mazzuco Neto sob a responsabilidade do vice-prefeito Primo Jr., que garante que com a união de forças aliada á vontade política, a idealização da Incubadora de Inovação e Tecnologia - ferramenta imprescindível para o desenvolvimento de ideias que podem gerar lucro para o município, empreendedores, entidades e os cidadãos - deve se tornar realidade. Habituado a enfrentar desafios, o jovem vice -prefeito vem agregando conhecimentos sobre o tema, através de visitações a experiências que vêm dando certo - como a visita recente ao Celta - Centro empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas, em Florianópolis, e que é um dos centros de referência na vocação de buscar ideias talentosas no país.

Além da visita ao Celta, outras ações vêm sendo desenvolvidas no intuito de retirar o projeto do papel. Uma delas, bastante importante, é a Lei 197/2017, que ordena as ações e propostas do projeto, e que cria o SMI - Sistema Municipal de Inovação.

SMI - Dentre as funções previstas para o SMI, estão a articulação estratégica das atividades dos diversos organismos públicos e privados que atuam direta ou indiretamente no desenvolvimento de inovação em prol da municipalidade, a estruturação de ações mobiliadoras do desenvolvimento econômico, social e ambiental no município, o incremento das interações entre seus membrois, visando ampliar a sinergia das atividades de desenvolvimento da inovação e a construção de canais e instrumentos qualificados de apoio à inovação para o desenvolvimento sustentável e para a transição à economia verde.

Além das funções do sistema, a Lei prevê ainda a inclusão do CMI - Conselho Municipal de Inovação, do qual fazem parte a adminsitração municipal, através do presidente do Conselho, o vice-prefeito Primo Jr., além das entidades Epagri, Amesc, ACIVA, Câmara de Vereadores e as instituições de ensino técnico e superior UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina, IF/SC - Instituto Federal, Unisul e a FVA - Faculdade Vale do Araranguá. No início desta semana, Primo Jr. encaminhou um convite às entidades e instituições para a participação no CMI, solicitado um representante e um suplente de cada entidade ou instituição participante. O CMI estará composto por 31 membros, e além do vice-prefeito e das instituições citadas, também estará integrado a membros vinculados à administração municipal, com as presenças dos secretários municipais de Educação, Administração, Finanças, Planejamento Urbano e Captação de Recursos e Projetos Especiais, Desenvolvimento Urbano e Obras, além do Superintendente da FAMA - Fundação Ambiental do Município de Araranguá.

Além dos membros natos, até o fechamento desta edição, apenas a ACIVA - Associação Comercial e Industrial do Vale do Araranguá oficializou as indicações de Land da Silva Nunes, da IBASI Sistemas, como membro efetivo e Alberto Sasso de Sá, da Sasso & Cia, como suplente. A posse do Conselho Municipal de Inovação acontece no dia 17 de julho, às 19h, na UFSC de Araranguá.

Também fazem parte do CMI os parques tecnológicos de inovação e as incubadoras de empresas inovadoras que atuem em Araranguá, as empresas inovadoras estabelecidas no município e os arranjos promotores de inovação, que assim como os projetos pleiteantes à participação na incubadora, precisam ser reconhecidas e aprovadas pelos membros do CMI.

Áreas de atuação - Para ser uma beneficiada pelo projeto, é preciso que a empresas de bases tecnológicas ou inovadoras devem atuar em ramos específicos, previstos na nova lei. Serão aceitos e avaliados projetos referentes à internacionalização e comércio exterior, propriedade intelectual, fundos de investimento e participação, consultoria tecnológica, empresarial e jurídica que prestam serviços à empresas de base tecnológica, condomínios empresariais do setor tecnológico, além de empreendedores de outros ramos cujos projetos forem considerados relevantes ao CMI.

Atribuições

Além de avaliar os projetos que chegam ao CMI, outras 15 responabilidades são de competência do Conselho. Entre elas, está a função de formular, propor, avaliar e fiscalizar ações e políticas públicaxs de promoção da inovação para o desenvolvilmento do município, a partir de iniciativas governamentais ou em parceria com agentes privados, abrindo espaço para a parceria público-privada, sempre preservando o interesse público.

Outra ação importante do Conselho é promover a geração, difusão e democratização do conhecimento, informações e novas técnicas e incentivar a adaptação à realidade local de técnicas já existentes. Também a promoção de estudos, eventos e pesquisas nas áreas da inovação e tecnologia é uma das atribuições do CMI, que prevê ainda, entre outras obrigações, a fiscalização, o uso correto e a aplicação dos recursos do FMI - Fundo Municipal de Inovação e outras fontes, sugerir captação e alocação de recursos para os projetos e acompanhar através de análise de relatório de atividades e do balanço geral a execução dos Planos Municipais de Inovação e de Sustentabilidade das unidades organizacionais do Poder Executivo do município e fiscalizar o funcionamento do FMI - Fundo Municipal de Inovação e do Programa Municipal de Incentivo à Inovação.

Os recursos do Fundo poderão ser aplicados através de convênios, termos de cooperação e de parceria, contratos de gestão e de subvenção, acordos de cooperação, termos de parceria, termo de outorga de auxílio financeiro, além de outros instrumentos legais que forem celebrados no município com órgãos federais, estaduais e municípios associados à AMESC, entidades privadas, pesquisadore, entre outras maneiras de aplicação dos recursos.

Primo Jr.

Busca por recursos

Além do desafio de organizar e preparar os trabalhos para chegar à meta pretendida, o vice prefeito tem mais um impasse para resolver: é que apesar de receber a incumbência do prefeito para a realização do projeto, não há ainda recursos para sua viabilidade - o valor arrecadado do ISS - Imposto Sobre Serviço, que é dirigido ao Fundo, corresponde a no máximo 2%, e representa pouco em termos de valores para o empreendimento - nem um espaço adequado para a montagem da incubadora de inovação e tecnologia. Uma das sugestões seria utilizar o prédio do Caic, que segundo Primo Jr., está com a estrutura bastante danificada, sendo necessária uma reforma e adequações do ambiente para o recebimento dos empreendedores, que devem utilizar um espaço público e comunitário, onde contarão com equipamentos, assistência técnica, além do suporte nas áreas contábil, jurídica e administrativa.

Em face dessa necessidade e da falta de recursos, Primo Jr. vê como possibilidade buscar o apoio no Governo do Estado, que há 31 anos, auxiliou o Celta da Capital do Estado - e que hoje mantém um pólo também na Pedra Grande, em Palhoça, a se estabelecer. Em 1995, instalou-se no ParqTec Alfa em edificação construída e disponibilizada pelo Governo do Estado, por meio da então FUNCITEC - Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia, onde contou com uma infraestrutura de suporte mais completa e com espaço físico de 10.500m², adequado às necessidades das 27 empresas incubadas naquela época.

A busca por recursos, segundo o presidente do CMI, é incansável, e pode ser buscado, além do Governo do Estado, também na iniciativa privada, em órgãos federais e outras fontes previstas na lei.

Sucesso

Uma solução ideal para a cidade que busca crescer com auto-sustentabilidade, pensando no meio ambiente e nos benefícios trazidos para o município, os empreendedores, entidades e o próprio cidadão. Além de gerar impostos para o município, a incubadora também pode gerar empregos em cada uma das empresas incubadas e as que atingiram sucesso após passarem pela incubadora - as chamadas empresas graduadas.

Amostras de sucesso não faltam para estimular que o projeto seja muito bem aplicado também em Araranguá. Na incubadora visitada por Primo Jr., como a Automatisa, que desenvolve, fabrica e comercializa soluções industriais para corte e gravação a laser, a Brabo, que desenvolve equipamentos customizados, inovadores e de alta produtividade para perfuração de túneis, micro-túneis e poços, a Certimarca, que é a única empresa com tecnologia nacional para geração e leitura de marcações visíveis e invisíveis, a A Conaz, que conecta os melhores negócios entre construtoras e fornecedores da construção civil de forma eficiente, através da tecnologia e serviços especializados, a Figueiredo e Ferreira, que desenvolve Teste Automático de linhas de redes telefônicas, a Mormaii Tec, que desenvolve produtos esportivos de alta performance e a Trial Pharma, que desenvolve projetos em biotecnologia. Todas essas empresas graduadas iniciaram seus projetos dentro da incubadora tecnológica do Celta.

Além do Celta, outras incubadoras - públicas ou particulates - vêm fazendo sucesso e mudando vidas de pessoas, cidades e empresas, que através do desenvolvimento de ideias inovadoras, vêm garantindo mais lucratividade, vagas de emprego qualificadas e gerando impostos aos municípios onde estão instaladas.

Celta

Saiba mais

"Inovação não necessariamente deve estar ligada à tecnologia, mas um projeto que traga eficiência, melhoria, redução de custos. É algo mais amplo, tudo que vem para melhorar, diminuir o custo de uma operação, otimizar recursos, possibilitando uma melhoria considerável no produto, serviço ou processo", destaca Primo Jr., que diz que muitas vezes as pessoas se surpreendem que ao descobrir que até mesmo uma simples ideia que seja capaz de melhorar um sistema ou serviço é considerada uma ideia inovadora, e nem sempre se utiliza da tecnologia.

Uma incubadora de empresas, ou apenas incubadora, é um projeto ou uma empresa que tem como objetivo a criação ou o desenvolvimento de pequenas empresas ou microempresas, apoiando-as nas primeiras etapas de suas vidas.

As incubadoras universitárias de empresas têm como objetivo abrigar empresas inovadoras frutos de projetos de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico. Nelas a universidade busca fornecer um ambiente propicio ao desenvolvimento da empresa, dando assessoria empresarial, contabilística, financeira e jurídica, além de dividir entre as várias empresas lá instaladas os custos de recepção telefonista, acesso a internet etc. formando um ambiente em que essas empresas selecionadas têm maior potencial de crescimento.

Com a palavra, as autoridades:

"Toda ação que tem por finalidade impulsionar a exploração com sucesso de novas ideias terão o apoio do legislativo, e é isso o que esperamos com a implantação desse projeto em Araranguá. Inovação seria justamente isso, a criação de espaço em que se possa buscar novas ideias e aplicá-las com sucesso, principalmente no meio empresarial, criando novas oportunidades"

DANIEL VIRIATO AFONSO

PRESIDENTE CÂMARA DE VEREADORES DE ARARANGUÁ

"Existe uma grande utopia, que é transformar Araranguá num pólo universitário. Esse é um desafio enorme, e precisamos detodas as universidades já instaladas em Arararanguá e as que vierem.

Um Parque Tecnológico, uma incubadora, não é locomotiva, a locomotiva são as universidades, e eu diria que o momento de Araranguá é de consolidação das locomotivas, porque um parque tecnológico, uma incubadora vem a reboque das ações de inovação que acontecem em conjunto da universidade e seu entorno. Araranguá pode ter diversas dimensões de crescimento, eu diria que uma delas seria inovação em serviços, pode ser na área de tecnologia da informação,ou em diversas áreas que temos aqui, uma mão de obra especializada, serviços gerais de construção, de infraestrutura, entre outras.

A relação da universidade com a incubadora tem que definir um ambiente de inovação, é um casamento entre a universidade em seu entorno, e esse entorno tem que ser costurado, porque não é só a universidade que provoca inovação, são vias de duas mãos. Então, a locomotiva são as universidades e as fontes de fomento, que uma vez definidas, se cria um ambiente propício a uma incubadora ser frutífera.

Então, não basta abrir uma sala e colocar uma placa na porta da frente e dizer que temos um parque tecnológico. Tem que ter uma proposta consistente, um plano, uma metodologia, para que se firme uma relação, se crie um ambiente de inovação, um ecossistema de inovação, um conjunto entre as universidades, a cidade de Araranguá e toda a região da Amesc".

EUGÊNIO SIMÃO

DIRETOR DO CAMPUS DA UFSC DE ARARANGUÁ

"Acredito que a cidade precisa ter uma vocação. O setor de inovação e tecnologia, considerado uma indústria do futuro, é sem dúvida, um caminho a ser seguido.

Para chegar a esse objetivo, precisamos que o poder público, a classe acadêmica, os profissionaisne as empresas tenham um projeto bem definido e principalmente, que esse projeto saia do papel e se torne realidade".

BETO SASSO

MEMBRO SUPLENTE CMI - ACIVA

"Estamos marcando uma reunião para buscar um entendimento mais profundo por parte da prefeitura, onde iremos buscar informações sobre o projeto, qual é o real interesse do projeto, e onde o Poder Público, aliado às entidades, quer chegar com esse projeto.

É de vontade que o projeto aconteça, e se depender dos membros da ACIVA, temos certeza que o projeto vai funcionar"

LANDY DA SILVA NUNES

MEMBRO EFETIVO CMI - ACIVA