ESPECIAL ARARANGUÁ

As diversas pressões da vida moderna têm mudado esse modo de viver característico do povo do litoral. A degradação ambiental, a pesca industrial e a pressão urbana fecham o cerco sobre essa população. É isso que constata o pescador Rinaldo Ramos da Rosa, de 45 anos. “Comecei a aprender pesca com meu pai aos 8 anos e aos 14 já tinha uma carteira profissional. Minha família é de pescadores. Com o avanço da pesca industrial há mais de 30 anos não temos peixe na costa, o que tornou inviável sobreviver tirando do mar ou do rio o sustento da família” lamenta.

Rinaldo, assim como dezenas de outros pescadores que ainda moram no lugar, sofre com o impacto da pesca industrial e têm o estilo de vida ameaçado. Segundo ele, os pescadores artesanais há anos denunciam os abusos da pesca industrial, onde grandes barcos entram em enseadas e estuários do rio Araranguá, arrastando, com redes de malha fina, os cardumes do local considerado um berçário natural.

Mais quais os problemas que provocam o desaparecimento de várias espécies de peixes e camarões em nossa costa? Rinaldo tem a resposta na ponta da língua: o descaso dos governos é grande defende ele. “O Poder Público deveria investir mais na fiscalização e infraestrutura, já a população precisa se conscientizar sobre toda a sujeira que é lançada irresponsavelmente no rio Araranguá. Todo esse lixo fica presos às encostas e gera além da erosão outros sérios problemas. Já cheguei a catalogar 100 espécies de peixes, mas hoje a maioria deles já desapareceu das nossas águas”, conta. O que Rinaldo busca explicar é toda a sujeira depositada ao longo do leito do rio, vem parar em Balneário Ilhas, onde o manancial de água doce se encontra com o mar, emporcalhando um cenário belíssimo que acolhe no verão centenas de turistas.

Diversificando o negócio para manter a cultura e tradição

Se a pesca não oferece renda suficiente para se manter no litoral, o jeito é criar novas oportunidades. Rinaldo precisou se ausentar por quase quatro anos e buscou nos Estados Unidos a renda que faltava para abrir o negócio próprio, um restaurante especializado em peixes e frutos do mar, localizado na ponta da Ilha. “Quando voltei à Ilhas abri o primeiro restaurante da comunidade e aos poucos fui diversificando o cardápio. Fui o primeiro a implantar a gastronomia local” explica ele que conta com o auxílio da esposa, Ana Maria Menegon na gestão do negócio. “Na cozinha eu cuido do preparo dos peixes e ela das saladas e do restante do cardápio” comenta.

O principal diferencial é o peixe fresquinho que é pescado e preparado pelo próprio dono. Ele também prefere escalar o peixe para garantir a qualidade do que é servido à mesa. Entre as delícias disponíveis estão peixe frito, filé de peixe, pirão de peixe, carne de siri, camarão, bolinhos de peixe e peixe ensopado. Durante o verão o atendimento é de segunda a segunda-feira, já na baixa temporada o funcionamento é aos domingos ao meio dia. Também atende com agendamento. O buffet livre custa apenas R$30 por pessoa.

Informações: (48) 9 9153-8790 ou 9 9144-4228

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Fonte: Fotos: David Cardoso