ESPECIAL ARARANGUÁ

Em uma época que não existiam câmeras digitais, celulares, nem ao menos filmes coloridos, fotografar era mais do que um gesto, era uma arte! Pioneiro nesta área, o fotógrafo José Genaro Salvador (in memorian) eternizou muitos momentos importantes da história de Araranguá e, agora, é ele quem recebe a homenagem da cidade que o acolheu.

A partir da próxima segunda-feira, 3, o Museu Histórico lança a exposição "José Genaro Salvador: 100 Anos. Lente que conta a história de Araranguá". Para antecipar um pouquinho do que deve ilustrar a amostra e, ao mesmo tempo, resgatar parte da história de Salvador, que foi o primeiro fotógrafo profissional da cidade, a reportagem da Revista W3 traz uma entrevista com uma de suas filhas.

Dona Bete Salvador recorda com saudades a convivência que teve com o pai e tudo o que pode aprender com ele. “A nossa infância foi uma festa. Nossa casa era vista como um castelo pelas crianças daquela época, não porque era bonita, mas porque tinha um porão, um sótão e muita arte. Todos nós ajudávamos meu pai com os seus trabalhos e desde muito pequenos, já lidávamos com a fotografia”, relembra.

Salvador iniciou na fotografia em 1940. A paixão pelas fotos surgiu por acaso, enquanto servia ao exército na Lapa, no estado do Paraná. E o que começou por hobby, foi se tornando uma profissão. “Ele foi o primeiro fotógrafo profissional da região. E é importante destacar que a minha mãe, Anna Ros Salvador, foi sempre sua parceira de trabalho”, destaca.

Ícone de seu Genaro era sua motocicleta, que atualmente, estampa junto com o fotógrafo um selo postal exclusivo. “Com essa moto ele andava o Vale inteiro, registrando paisagens, pessoas e fatos históricos”, afirma Bete.

Ela recorda de todos os processos da fotografia que, com maestria, o pai executava. “Além de fotografar e revelar, ele também fabricava a maioria de suas máquinas, porque só tinha em São Paulo, e acabava se tornando muito trabalhoso”, lembra.

Seu Genaro faleceu aos 84 anos, vítima de enfisema pulmonar. Em sua bagagem, deixou mais do que fotografias, deixou histórias eternizadas. “Meu pai participou de muitos momentos importantes. A sua paixão pela arte e pela fotografia contagiou toda a família, tanto que todos nós temos alguma habilidade especial. Ter um pai como ele foi um verdadeiro presente de Deus”, ressalta.

Artista

Além da fotografia, Salvador tinha outros dons artísticos. Além de concertar e confeccionar muitos objetivos, ele também criou uma calçada em frente a casa da família, em Balneário Arroio do Silva, que será reproduzida na exposição. “Ele também era taxidermista, empalhava pássaros e enviava para diversos lugares, inclusive para o Vaticano”, destaca Bete.

Exposição

A exposição que resgata a história da Cidade das Avenidas sob o olhar de Genaro Salvador, trará muitos objetos pessoais do fotógrafo, incluindo câmeras, materiais de trabalho, fotografias exclusivas, os negativos de vidro - de onde as fotografias eram reproduzidas, além da histórica motocicleta.

Reabertura do Museu Histórico

A programação alusiva aos 137 anos de Araranguá será celebrada com arte. A reinauguração do Museu Histórico contará não apenas com a exposição de Genaro Salvador, mas também com mais duas exposições paralelas – na escadaria, a mostra ‘Memórias da Praça’ e no piso superior, a exposição arqueológica ‘Eles antes de nós’. Além disso, haverá apresentações culturais e artísticas no Tablado Cultural, que também contará com o lançamento do livro ‘Papéis esquecidos’, do escritor Gimi Ramos.

Para a diretora de Cultura de Araranguá, Micheline Vargas, a reabertura do Museu é um presente para a cidade. “Não há o menor sentido em manter o museu, que conta a nossa história, fechado. Por isso, desde que assumimos a diretoria, tínhamos como principal objetivo sua reabertura. Preparamos uma programação recheada de atrações culturais, que acima de tudo, valorizam a nossa cidade”, finaliza.

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