Imagine esta situação: sua filha de oito anos chora reclamando de uma forte dor na cabeça, você corre para o hospital. Chega, informa o caso e espera. Passam 30 minutos, uma hora, duas horas e nada, sua filha chora ainda mais e você já não sabe mais o que fazer. Quase nove horas mais tarde, quando finalmente é atendida, recebe um diagnóstico inconclusivo e é encaminhada para o hospital de outra cidade. Assim que chegam, são atendidas e de imediato o médico alerta para o estado grave, que poderia ter sido identificado muito tempo antes, caso os médicos do HRA tivessem solicitado os exames necessários. Pouco tempo depois, a menina falece diante dos pais.

Infelizmente, o fato narrado não é mera imaginação. Ele foi vivenciado pelos pais da pequena Gabriele, que 10 dias após a perda da filha, não conseguem entender o que aconteceu. Inconformada com a negligência, falta de humanização e de eficiência da empresa que administra o hospital, a família da menina se mobiliza para pedir a saída da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), da gestão da HRA.

Manifestação ocorre domingo

Além dos familiares, muitas pessoas se sensibilizaram com o caso da pequena Gabi e se mobilizaram para participar da manifestação que irá pedir a saída da SPDM da administração do hospital.

De acordo com um dos organizadores, William Soares de Souza, o encontro ocorre a partir das 14h na avenida Paraíso e segue em direção ao hospital. “Gostaríamos de deixar claro que não estamos reclamando dos funcionários e sim desta administradora, que vem de São Paulo sem saber da nossa realidade e deixa nossa população a deriva, sem o atendimento que merece”, destaca.

Relato confirma

Infelizmente, o caso da pequena Gabi não é o único envolvendo negligência e falta de humanização no Hospital Regional de Araranguá. Diariamente, muitas pessoas passam por situações semelhantes, que comprovam a precariedade no atendimento do hospital.

A jornalista Karem Suyan passou por uma situação complicada nesta semana e relatou o fato nas redes sociais. “Passei por duas situações que ninguém deveria passar: a primeira é de ver teu filho chorar de dor, e eu nunca havia visto o Ari Bernando chorar daquele jeito. Sei que isto são coisas da vida. Muitas crianças e adultos já quebraram um braço ou outro membro, mas dói muito na gente ver um filho sofrer, foi uma das piores dores que já senti. Mas a outra situação é inadmissível: uma criança não ser atendida por um Hospital Regional. Esperei por mais de duas horas para que o único profissional do plantão simplesmente mandasse avisar que levaria mais três ou quatro horas para atender meu filho e outras crianças que ali aguardavam. As enfermeiras forma maravilhosas, e eu não sei como pessoas tão boas conseguem viver com a frustração de não poder cumprir com o papel ao qual o local onde trabalham se destina. A médica não vi, estava atendendo a emergência de um bebê prematuro desde a hora que chegamos. Fiquei pensando também na frieza que um médico tem que ter para escolher quem priorizar. Ela sozinha tinha que dar conta de tudo, sabendo que muitas crianças sairiam dali sem atendimento. Tudo nesta história é horrível, é vergonhoso. Não aceito o que vi ontem. A dor de ver meu filho sofrendo foi suplantada pela revolta de não ver nem ele e nenhuma outra criança que entrasse no Hospital Regional ser atendida por mais de sete horas”, desabafou.

Explicações só em SP

Para obter maiores informações sobre a atual gestão do HRA, o único jeito é entrar em contato com a assessoria de imprensa da SPDM, em São Paulo. Porém, a população e a imprensa local não acha justo precisar se reportar à São Paulo para poder ter explicações sobre o que acontece na nossa cidade. A reportagem da Revista W3 se coloca à disposição da SPDM para os esclarecimentos que julgarem necessários.