Sou profética a frase do internauta Roberto Espíndula, quando comentou a matéria “Na calada da noite, vereadores aumentam próprio salário”, publicada hoje pela manhã no site do Jornal W3 (www.revistaw3.com.br) e na fan Page da revista no facebook, mostrando que no dia 22 de março, os vereadores votaram o projeto de lei e no dia 04 de abril, o prefeito Sandro Maciel sancionou a Lei nº 3424, que concede aumento de 9% aos vereadores e de 11,36% aos servidores municipais. Acrescentando o comentário da leitora internauta Sarah Bavaresco, que comparava o salário dos vereadores ao salário de um trabalhador comum, ele argumenta: “Vão duas vezes por semana, quando vão”.

Foi praticamente esta a realidade encontrada pela reportagem do Jornal W3 ao visitar a Câmara de Vereadores de Araranguá por volta das 15h de hoje, horário em que estaria acontecendo uma audiência pública para apresentação, por parte da prefeitura, dos gastos referentes aos quatro primeiros meses do ano. Participando da audiência, que praticamente não contou com a presença da comunidade nem das entidades de classe, o único vereador presente, Ozair da Silva, o Banha, acompanhava a leitura do relatório.

Já no prédio da Câmara de vereadores, dos 15 gabinetes disponíveis, apenas cinco contaram com a presença dos vereadores que dão nomes às placas fixadas nas portas dos escritórios. Nas salas ocupadas por Luiz Brás Paulino, o Lulu, Adair Jordão e do presidente da Casa, Volnei Roniel Bianchin da Silva, o Rony, as portas abertas traziam funcionários trabalhando, assim como as salas dos vereadores presentes Banha, Arilton Costa, João Abílio Pereira, Alexandre Pereira e Aquiles Ghelere, o Kila. Segundo os funcionários de Rony, ele está doente, e por isso, não compareceu hoje na Câmara.

Já os outros vereadores não estavam na Casa, nem tinham funcionários presentes em seus gabinetes. Este foi o caso dos vereadores Daniel Viriato Afonso, Eduardo Merêncio, o Chico, Gialcarlo Soares de Souza, Jacinto Dassoler, Lorival João, o Cabo Loro, Luiz Djalma Marcelino, o Luiz do Bailão e Ronaldo Soares, o Ronaldinho.

“É um direito”, afirmam vereadores

O aumento destoa da nota encaminhada pela Câmara de Vereadores de Araranguá no dia 03 de março deste ano, que afirmou: “os vereadores eleitos para a próxima legislatura (2017-2020) continuarão recebendo a mesma remuneração dos atuais legisladores, permanecendo assim com os salários atuais sem reajuste”. Na primeira tentativa de aumento este ano, o projeto de Lei Ordinária nº 1/2016 de 03 de fevereiro trouxe reações fervorosas por parte da população e das entidades de classe organizadas, que se manifestaram contra o aumento proposto de 21,82% com ações como o abaixo assinado eletrônico promovido por um grupo de indignados contra a tentativa de aumento, considerada abusiva. Além da petição eletrônica, que recebeu mais de três mil assinaturas de moradores de Araranguá, manifestações públicas e eventos contra o aumento foram feitos pela população e também pelas organizações de classe.

Ao constatar que apenas 33% dos vereadores estavam na Casa, a reportagem do Jornal W3 abordou os presentes para conhecer sua opinião sobre o aumento dos próprios salários.

Aquiles Ghelere, o Kila, diz que a salarial é para todos os servidores, e portanto, um os vereadores também têm o direito em receber aumento. O vereador diz que não é candidato à reeleição, e que como empresário, não acha que o salário de vereador compensa: “Perco dinheiro deixando minhas empresas para estar aqui. Sou um vereador ativo, e para o que faço, acho o salário decente, mas pra mim não ta bom”, afirma o vereador, que diz que a população não é justa ao avaliar todos os políticos como ruins: “Eu tenho canais nas redes sociais, e trabalho com base nas sugestões que recebo. Todo mundo coloca todos os políticos na mesma peneira, e não é assim”.

Para o vereador Arilton Costa, o vereador em Araranguá recebe um bom salário, e isso é merecido: “Para quem trabalha”, acrescenta.

Para Ozair da Silva, o Banha, o aumento é legal, e dentro das metas salariais dos servidores, proporcional à inflação. Ele chama a atenção para as projeções salariais dos cargos públicos municipais dentro do período de quatro anos, até 2020: “Os salários do prefeito, vice prefeito e secretários vai aumentar bastante perto do salário do vereador, que vai aumentar pouco”. Para ele, se o vereador é atuante, o salário se justifica.