Quem olha a maneira carinhosa com que são tratados os 34 idosos que vivem no Lar São Vicente de Paulo, em Araranguá, não imagina o sufoco que a administração da casa beneficente passa para garantir a boa alimentação e a qualidade no atendimento aos 14 homens e 20 mulheres moradoras da Casa.

Para se ter uma ideia, o almoço consome todos os dias cerca de oito quilos de carnes, três quilos de arroz, um quilo e meio de macarrão, sem contar os grãos, frutas e verduras. Litros de leite, são 12 todos os dias, e pelo menos um quilo de arroz, quando não são feitos bolos. Além do almoço, todos os dias, é preciso servir o café da manhã, o café da tarde e o jantar. E além da alimentação, tem também as despesas com as fraldas geriátricas – cerca de três mil consumidas por mês, as despesas de água, luz, manutenção, material de higiene e limpeza, além da folha de pagamento da equipe, que soma 24 funcionários. Como o Lar funciona 24 horas por dia, há regime de plantão, e muitas vezes, pagamento de adicionais noturnos e também de horas extras.

Ideias Solidárias - “Criatividade é o que mais precisamos ter, além de contar com a colaboração da sociedade”, conta a assistente social e coordenadora do Lar, Angela Rocha da Silva, que diz que das prefeituras da região do Vale, conta com convênio apenas de Araranguá, que oferta R$ 40 mil por ano, ou R$ 3,3 mil mensais. Outro município que ajuda é Morro Grande, que mantém um idoso na casa. Outros municípios da região, que têm um, dois, três ou até quatro idosos morando no Lar São Vicente não ajudam com nenhuma quantia em dinheiro: “É complicado, porque a despesa é grande. Há aqui alguns idosos que não pagam, outros ajudam com o dinheiro da aposentadoria, que geralmente não é mais do que um salário mínimo. Só que para manter cada idoso na Casa, a despesa gira em torno de R$3 mil, já que além da moradia e alimentação, ele também recebe toda a assistência da equipe, que tem enfermeiros, cuidadores, cozinheiros, auxiliares de cozinha, nutricionista, assistente social e outros profissionais”, destaca.

Para conseguir sobreviver, o Lar precisa de doações permanentes da comunidade.

Uma boa forma de doar é a contribuição na conta de energia elétrica, que hoje, soma cerca de R$ 1,3 mil mensais nas contas do lar, com cerca de 70 colaboradores: “Qualquer valor, a partir de R$ 2 para pessoa física e R$ 5 para a jurídica é bem vindo”, afirma Angela, que diz que se metade das unidades consumidoras de Araranguá doassem apenas R$ 2 cada, o asilo nunca mais teria dificuldades. Para doar pela conta de luz, é preciso ir até o asilo para buscar a autorização de desconto da doação, preenche-la e levar para a Celesc.

O troco solidário também é uma boa forma de ajudar: “Há muitos pontos do comércio que têm nosso cofrinho, é só botar a moedinha lá que já está ajudando”, explica Angela, que garante que todo o dinheiro arrecadado no comércio é repassado para o Lar e sempre numa hora boa.

Outra ideia muito boa e que vem agradando aos visitantes do asilo – incluindo as pessoas que assistem à missa todas as quartas-feiras, a partir das 16h – é o brechó permanente, que vende roupas novas e usadas, todas provenientes de doações, e podem ser compradas por valores que vão de R$ 3 a R$ 15. O brechó permanente, que recebeu o nome de Maria, em alusão à costureira do Lar que já atua no local há quase 30 anos, surgiu após o sucesso do Brechó anexo ao Bom Pastor, que fez muito sucesso e arrecadou algum dinheiro, mas recebeu uma grande sobra de doações: “As roupas estão em ótimo estado, são todas lavadas e consertadas pela dona Maria, que deixa tudo impecável para que as pessoas façam a boa ação, mas também tenham a oportunidade de levar ótimas peças em troca da ajuda”, comemora.

O brechó funciona todos os dias, anexo ao Lar São Vicente de Paulo, que fica na Av Getúlio Vargas, 1820 – Jardim das Avenidas – Araranguá, fone (48) 3522-1170.

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