A denúncia de leitores do Jornal W3 provocou a ida da equipe de reportagem até a

unidade de saúde do bairro Polícia Rodoviária, em Araranguá, que em função de obras,

também está atendendo os moradores do bairro Sanga da Areia. Dentro do posto,

quase nenhum representante da população – apenas enfermeiras e atendentes de

saúde, que ao serem abordados pela reportagem, não confirmaram a denúncia de que

não havia médico atendendo no local, alegando não estarem autorizados a falar pela

organização. Também não estava presente a enfermeira responsável, que está de

atestado médico.

Na parte de fora, alguns integrantes da comunidade, cansados de esperar por uma

solução para o problema, estavam dispostos a conversar com a reportagem: “Estou

desde fevereiro tentando remarcar meus exames, e não consigo. Não tem médico. É

um absurdo o que acontece aqui”, desabafa a dona de casa Janaína de Souza Acordi,

28. Ao lado dela, Carolaine Gomes dos Santos, 18, confirma o problema, e diz que

espera pela marcação de uma consulta desde o dia 24 de fevereiro: “Primeiro foi

marcado pro dia 24, não tinha médico. Foi remarcado pra dia 07 de março. De novo,

não tinha médico. Agora, voltei pra consulta, e não tem médico de novo. Remarquei,

mas não me deram garantia de que no dia da consulta, o médico estará aqui”. Para

Jéssica Gonçalves, 24, a comunidade está sendo tratada com descaso: “Vim pra fazer o

preventivo, toda mulher precisa para se prevenir de muitas doenças. Tive que fazer no

Bom Pastor, porque aqui, além da falta de médico, a enfermeira não tem vindo

trabalhar porque está se atestado médico”, lamenta.

DESLIGAMENTO DEPOIS DO PRAZO – Para a secretária de Saúde do município, Rosane

Kochhann, não há como negar a preocupação com a situação da unidade de saúde do

bairro, que está sem médico efetivo desde meados de fevereiro, quando o titular do

posto - um médico clínico geral contratado através do Programa “Mais Médicos” do

Governo Federal – pediu o desligamento da vaga para fazer residência em psiquiatria:

“O problema é que o desligamento aconteceu uma semana após o encerramento das

inscrições para a solicitação de novos médicos pelo programa. Ele não se desligou em

tempo hábil, e com isso, inviabilizou a contratação de outro médico através do Mais

Médicos”, explica a secretária, que diz que com este problema, a verba enviada pelo

Governo Federal também fica comprometida, passando de R$ 8,5 mil mensais para

apenas R$ 4 mil por mês.

Rosana explica que o município vem tentando sanar a situação com a contratação de

médico em regime temporário, sem sucesso: “Muitos foram chamados, mas desistem

ao saber que o atendimento tem que ser feito no postinho da Polícia Rodoviária”,

garante. Ela afirma que do final de fevereiro até o final de março, o posto chegou a

contar com o atendimento de uma médica, que trabalhava em horário reduzido, mas

que o convênio terminou. A Secretária diz que vai continuar trabalhando na solução do

impasse na Polícia Rodoviária, que, segundo ela, é a única unidade de saúde que

atualmente não tem médico para atender à população.